Cresce o canibalismo entre ursos polares do Ártico, alertam cientistas

Derretimento do gelo e falta de comida podem explicar a alta observada

Moscou | AFP

Os casos de ursos polares que recorrem ao canibalismo estão aumentando no Ártico provavelmente por causa do derretimento do gelo e da atividade humana que destrói seu habitat. 

"O canibalismo entre os ursos polares é um fato há muito estabelecido, mas estamos preocupados que esses casos que costumavam ocorrer raramente sejam agora bastante frequentes", disse Ilya Mordvintsev, especialista em ursos polares, à agência de notícias Interfax.

"Podemos dizer que o canibalismo entre os ursos polares aumentou", disse Mordvintsev, que trabalha no Instituto Severtsov para Problemas de Ecologia e Evolução, em Moscou.

Em uma apresentação na cidade de São Petersburgo, Mordvintsev sugeriu que o comportamento pode ser devido à falta de comida. 

Urso polar passa fome no Ártico canadense com o derretimento do gelo e a falta de comida
Urso polar passa fome no Ártico canadense com o derretimento do gelo e a falta de comida - Justin Hofman/Wildlife Photographer of the Year/NHM

"Em algumas estações, não há comida suficiente e os ursos atacam os ursos com filhotes", disse ele. 

O aumento de casos também pode ser devido ao fato de haver mais pessoas que trabalham no Ártico e percebem esse comportamento, disse.

"Agora, obtemos informações não apenas de cientistas, mas de um número crescente de trabalhadores no setor de petróleo e funcionários do Ministério da Defesa". 

Neste inverno, a área do Golfo de Obi até o Mar de Barents, onde os ursos polares costumavam caçar, é agora uma rota movimentada de navios carregados com gás liquefeito (GNL), disse Mordvintsev, com a consequente destruição de gelo nessa área. 

Pesquisadores russos descobriram um número crescente de ursos polares que abandonam suas áreas de caça tradicionais devido ao derretimento do gelo devido ao aquecimento climático.

No último quarto de século, o nível de gelo no final do verão do Ártico foi reduzido em 40%, diz Vladimir Sokolov, cientista que prevê que os ursos polares terão que parar de caçar no mar gelado e ficarão confinados à água.

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