Descrição de chapéu Governo Bolsonaro desmatamento

Desmatamento da Amazônia cresce 34% de agosto de 2019 a julho de 2020

Até junho de 2020, bioma teve 14 meses seguidos de aumento de destruição; julho apresentou queda, mas com taxas de desmate elevadas

São Paulo

Sob o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o desmatamento na Amazônia cresceu 34% de agosto de 2019 a julho de 2020 em comparação com o mesmo período anterior, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) disponibilizados na manhã desta sexta-feira (7).

O valor total de área desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019 já havia sido superado no início de junho deste ano.

Considerando apenas os dados de julho de 2020, divulgados nesta sexta (7), houve uma queda de 27% no desmatamento em comparação com julho de 2019 —com mais de 2.000 km² destruídos, aquele é o mês recordista em relação a qualquer mês da série histórica recente do Inpe.

Mesmo com redução na comparação com o ano anterior, os dados de julho mostram uma destruição no bioma considerável: foram mais de 1.500 km² devastados em 30 dias.

As informações são provenientes do Deter, programa do Inpe de monitoramento da floresta em tempo real. O Deter foi desenvolvido para auxiliar no combate ao desmate, mas com suas informações é possível perceber tendências de crescimento ou diminuição da destruição dos biomas.

Com os dados de julho em mãos, é possível fazer o primeiro recorte anual de um período com gestão exclusiva do governo Bolsonaro, considerando que o dado do ano anterior dizia respeito, em parte, ao fim do governo Michel Temer (MDB).

O crescimento ininterrupto da destruição, que teve início já nos primeiros meses do governo Bolsonaro e da gestão de Ricardo Salles no ministério do Meio Ambiente, não teve recuo mesmo com a propagandeada presença do Exército na Amazônia.

No caso da Amazônia, a tendência clara é de crescimento constante do desmate. Em junho, o bioma completou 14 meses seguidos de aumento de destruição, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior.

Os números consolidados e oficiais de desmatamento —proveniente do Prodes, outro sistema de monitoramento do Inpe — são divulgados no fim do ano, também referentes ao período entre agosto e julho. Por ter uma resolução maior (o desmate é observado a partir de imagens de satélite que verificam mudanças na vegetação), os números do Prodes costumam ser maiores do que os observados no Deter.

Isso significa que o aumento de 34% ainda é inferior ao desmatamento que realmente aconteceu no período, que deve ficar consideravelmente acima dos 10 mil km² de floresta destruída registrados no ano passado.

Os dados de julho do Deter já haviam sido adiantados na quarta (5) em publicação em rede social do vice-presidente e chefe do Conselho Amazônia, Hamilton Mourão, quando ele atravessou o rito do Inpe de divulgar essas informações.

O instituto publica, semanalmente, os dados de desmate em seu portal, sem adiantar informações para outras fontes.

O Brasil tem sofrido forte pressão internacional, inclusive com ameaças e concretizações de fuga de investimentos, para demonstrar comprometimento em relação à destruição da natureza.

O governo Bolsonaro, porém, permanece sem apresentar ações concretas que podem reduzir a destruição da Amazônia. Ao mesmo tempo, o presidente e membros do seu governo insistem no discurso de que estrangeiros já destruíram suas florestas para se desenvolver e que o Brasil permanece sendo um exemplo ambiental, mesmo com o acentuado aumento da destruição amazônica.

E ao mesmo tempo em que ministro Salles tem reivindicado dinheiro internacional para ajudar na preservação, ações suas e de Bolsonaro levaram à paralisação do bilionário Fundo Amazônia, que, a partir de doações da Noruega e da Alemanha, irrigava financeiramente projetos de proteção à floresta, auxiliando em medidas de combate a incêndios e de regularização fundiária.

Uma das ações do governo destinadas ao combate ao desmatamento e, de quebra, à melhora da imagem internacional do país, é o uso da GLO (Garantia da Lei e da Orgem), que levou os militares para a Amazônia em agosto 2019, quando as queimadas explodiram e viraram assunto mundial.

A presença do Exército pode ter ajudado a controlar as queimadas em outubro, mas os níveis de desmatamento em todo o segundo semestre do último ano superaram os do ano anterior.

A segunda onda dos militares na Amazônia, também pela GLO, começou em maio deste ano, com a Operação Verde Brasil 2.

Em rede social, Mourão afirmou que os dados de julho, menores do que as gritantes taxas de desmatamento do mesmo mês em 2019, apontavam que a operação Verde Brasil 2 estava tendo resultado.

A realidade, porém, é outra. Desde maio, tanto o desmatamento quanto as queimadas (ações intimamente relacionadas) não recuaram e bateram recordes.

Em maio e junho, a destruição da Amazônia foi a maior já registrada para esses meses na série histórica recente do Deter. Quanto às queimadas, junho teve o maior registro desde 2007 e julho também apresentou crescimento em relação ao ano passado.

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