Descrição de chapéu pantanal

Em ensaio de repórter-fotográfico, o fogo transforma a Transpantaneira

Com 12% do território queimado desde o começo do ano, Pantanal sofre sua pior devastação em 15 anos

Jacaré queimado as margens da Transpantaneira

Jacaré queimado as margens da Transpantaneira Lalo de Almeida/Folhapress

Mato Grosso

Nos oito primeiros meses de 2020, mais de 12% do território do Pantanal foi devastado por queimadas, segundo estimativas do Inpe. Com previsão de chuvas relevantes somente em outubro, o bioma pode sofrer a pior devastação em 15 anos, e ainda não é possível avaliar quanto tempo ele vai levar para se regenerar.

Para mostrar o desastre, o repórter-fotográfico Lalo de Almeida percorreu a Estrada Transpantaneira, que corta o sul de Mato Grosso, de Poconé à localidade de Porto Jofre. Com ele, a mulher e a filha mais velha.

A rodovia, com 147 km de terra batida, é uma estrada parque. Agora, porém, a paisagem principal é o fogo. Com 30 anos fotografando, o incêndio no Pantanal é a maior destruição natural que já viu. “Para onde você olha, tudo está queimando.” As paisagens, diz, são desoladoras.

O desespero dos animais para sobreviver às queimadas foi o que mais chocou. Nas idas ao bioma, viu macacos, jacaré e veado padecerem. “Quando você vê um bicho moribundo, você se identifica como se fosse uma pessoa.”

As lentes de Lalo registraram o fogo na área pela primeira vez em meados de agosto, para uma reportagem da Folha. “Quando chegamos lá, era mais impressionante que o que imaginávamos.” A destruição era tão grande que ele conta ter saído de lá com uma sensação de “missão não cumprida”. Depois da segunda visita, segue pensando o mesmo. “Continuo com a sensação de que tem mais coisa para mostrar.”

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