Pró-governo e sem mencionar desmate ou queimada recorde, Carla Zambelli assume Comissão do Meio Ambiente

Comissão sai das mãos de Rodrigo Agostinho (PSB-SP), reconhecido por sua defesa da pauta ambiental

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Brasília

A deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) foi eleita nesta sexta-feira (12) presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara.

Zambelli foi eleita por 10 votos a favor e 6 votos em branco, que na prática são votos contrários.

Ela era a única candidata —segundo a tradição, as presidências das comissões são resultado de acordos entre os partidos, embora a eleição seja necessária para confirmar os nomes.

A comissão é responsável por analisar medidas relacionadas ao meio ambiente e pode aprovar requerimentos para convocar autoridades para dar explicações.

A nova legislatura marca uma transição na comissão, que sai das mãos da oposição —Rodrigo Agostinho (PSB-SP), reconhecido por sua defesa da pauta ambiental, era o presidente —para passar a ser comandada por uma governista, fortemente identificada com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Em seu discurso, a nova presidente não fez nenhuma menção aos índices recordes de queimadas e desmatamento registrados na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De janeiro a novembro, foram destruídos pelas chamas 116.845 km² do território da Amazônia e do Pantanal, área equivalente a quase três estados do Rio de Janeiro.

No passado, Zambelli já afirmou, sem provas, que "ONGs, que supostamente deveriam estar protegendo, estavam colocando fogo na Amazônia para criminalizar um governo que é novo, de direita". Também disso que "nunca a Amazônia queimou tão pouco".

Por outro lado, leu uma lista de todos os programas do Ministério do Meio Ambiente, como o programa Floresta +, que dá recursos para quem protege a mata nativa, e o Adote um Parque, cujo objetivo é obter recursos para a preservação com a iniciativa privada.

A nova presidente prometeu um trabalho em conjunto com a Comissão de Agricultura, também sob o comando do PSL, com Aline Sleutjes (PSL-PR).

"Essa presidência vai ouvir bastante, dialogar bastante e chegar ao possível. Essa agenda do meio ambiente que durante tantos anos não esteve presente nas nossas discussões. A gente pretende colocar isso em voga e trabalhar em conjunto com a Comissão de Agricultura", disse.

Com o país alvo de críticas internacionais por conta da alta do desmatamento e das queimadas, a deputada destacou a importância de fortalecer as ações de combate a crimes e ilegalidades, com foco no desmatamento ilegal. Também ressaltou a urgência de aplicar recursos internacionais para combater essas atividades predatórias e as mudanças climáticas.

Zambelli especificou o apoio da Força Nacional de Segurança Pública em ações com órgãos ambientais, para combater desmatamento ilegal na Floresta Amazônica.

A deputada também afirmou que o Brasil é um exemplo de sustentabilidade.

​“Temos 66% da nossa mata nativa preservada e 84% da Amazônia preservada. Temos a lei ambiental mais restritiva do mundo, uma agricultura de baixo carbono. O Brasil é responsável por menos de 3% das emissões de gases estufa", disse.

Ao contrário da eleição da deputada bolsonarista Bia Kicis para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), não houve protestos ou mesmo confusão durante a sessão que elegeu Zambelli. Alguns deputados, no entanto, pediram sensibilidade para a nova presidente em relação aos temas de meio ambiente.

"Cabe a nós duas opções, que é cuidar do meio ambiente ou abrir a porteira para a boiada passar. Se cairmos nesse equívoco de facilitar as coisas, além de estarmos cometendo um prejuízo enorme para o momento e para as próximos gerações, do ponto de vista de equilíbrio climático, também estaremos cometendo um ato que não conta com o apoio da maioria da sociedade", afirmou o deputado Airton Faleiro (PT-PA). "Essa comissão não pode ficar refém do atraso, da lógica predatória do meio ambiente."

Por outro lado, alguns parlamentares se sentiram à vontade com a nova presidência para pregar medidas contrárias ao meio ambiente. O deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) defendeu o agronegócio e atacou os órgãos ambientais, como Ibama, que precisam "respeitar o homem da mão calejada" que "leva o Brasil nas costas". Também disse que, antes do governo Bolsonaro, "os garimpeiros eram tratados como criminosos".

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