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Você ouve, Guedes?

Ciência aplicada responsável exige repetição exaustiva de solução de problemas

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Lecionei no Departamento de Economia da Universidade de Chicago em seus anos de glória, 1968-1980. Ao lado do MIT e de Cambridge, era conhecido na época como o melhor departamento de economia do mundo. Era ímpar. Tanto o MIT quanto Cambridge eram obcecados por matemática nos anos 1970, especialmente pela moda da "análise linear" na economia, que durou pouco.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em Davos - Zheng Huansong - 26.mai.22/Xinhua

A análise linear traduzia para álgebra matricial os insights que economistas haviam captado na década de 1870 de que os retornos do trabalho, capital e terra são determinados pela produtividade, não pelo poder na "negociação" ou pelo roubo da "mais-valia".

Eu mesma havia aderido à análise linear em Harvard. Quando cheguei a Chicago, aos 27 anos, tive que reaprender economia. A Escola de Chicago de Milton Friedman, Gary Becker ou Robert Fogel (todos eles prêmios Nobel) dizia que a teoria econômica não é um jogo divertido, mas uma ferramenta séria. Os economistas da Universidade de Chicago no Departamento de Economia, na Escola de Administração e na Escola de Direito,nos anos 1970, se ocupavam em aplicar o pensamento econômico à realidade. O resultado é que a Universidade de Chicago tem um número embaraçoso de Nobéis de economia, a maioria dessa década.

Décadas mais tarde eu disse a Becker, brincando: "Quando fui embora, em 1980, Chicago perdeu sua posição de vantagem". Rarará. Para espanto meu, ele respondeu: "Concordo, e estamos tentando resolver isso." Ele não conseguiu. Chicago hoje é tão aficionada da matemática e do Estado quanto são Princeton e Stanford.

Aprendi ciência econômica real ensinando-a. Durante uma década eu dei o curso introdutório de pós-graduação em "teoria do preço" de nosso programa enorme de pós-graduação, com grande parcela de estudantes brasileiros e chilenos. Paulo Guedes, por exemplo, fez meu curso. Para ser aprovado, teve que resolver literalmente centenas de problemas concretos aplicados ao mundo econômico real. Coisa que ele fez de modo brilhante.

Era como o estudo de engenharia. Projete 20 pontes hipotéticas e então a ponte real não vai desabar. Ou medicina. Faça 50 procedimentos em seus colegas, e então você não matará um paciente na vida real.
Duas semanas atrás dei aula num "campo de treinamento de recrutas" em teoria de preços em Chicago. O mesmo treinamento. Nada de "teoremas de existência", como os tão apreciados em matemática, filosofia ou teologia. Apenas "problemas resolvidos", como os apreciados em física, engenharia e história. Isso tem nome: ciência aplicada responsável.

Está ouvindo, Guedes?

Tradução de Clara Allain

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