Siga a folha

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…".

Fé e democracia

Cada religião deve ser livre para determinar seus requisitos para o sacerdócio

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

Oferta Exclusiva

6 meses por R$ 1,90/mês

SOMENTE ESSA SEMANA

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 200 colunas e blogs.
Apoie o jornalismo profissional.

Como ateu de terceira geração, não tenho simpatia por nenhuma religião. Todas elas me parecem uma tentativa meio infantil de convencer-se de que a vida tem um sentido transcendente. Não tem.

Não espero, porém, que todos concordem comigo. Só mencionei meu histórico religioso para mostrar que minhas convicções anticlericais são democráticas, o que me permite dizer que percebo na “intelligentsia” certo preconceito antievangélico, em especial contra a Igreja Universal.

É provável que as lideranças de alguns desses grupos sejam mais picaretas que a média das denominações neopentecostais, que seja mais picareta que a das religiões tradicionais. Esse, contudo, é um juízo sociológico, que não deveria autorizar diferenças no tratamento que o poder público dispensa a cada fé.

Nesse contexto, parece-me complicado equiparar o sacerdócio a um emprego regular e aplicar-lhe as regras do direito do trabalho, como o Judiciário fez com a Universal, tendo-a condenado por induzir pastores a fazerem vasectomia.

Fachada do Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, no Brás, centro paulistano - Reinaldo Canato/UOL/Folhapress

Cada religião deve poder determinar livremente seus requisitos para o sacerdócio. Se não for assim, teríamos de examinar se o veto da Igreja Católica ao sacerdócio feminino não viola regras contra a discriminação de gênero, se as mesquitas estão observando corretamente a cota legal de deficientes entre clérigos e até mesmo se as sinagogas não estão descumprindo a Lei Antirracismo, ao bloquear a contratação de rabinos não judeus.

Se há uma esfera em que lógica e razoabilidade não se aplicam, é a da religião. Numa tradição, quem receber uma transfusão de sangue estará irremediavelmente condenado a arder no inferno. Em outra, é terminantemente proibido misturar carne com leite. Numa terceira, amealhar toneladas de dinheiro é marca insofismável da graça divina. Não cabe ao Estado democrático se meter nessas questões, que são indecidíveis, mas apenas assegurar a plena liberdade religiosa.
 

Receba notícias da Folha

Cadastre-se e escolha quais newsletters gostaria de receber

Ativar newsletters

Relacionadas