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Lakers vestem camisa de Kobe e jogam para honrar sua memória

Time incorpora estilo Bryant e encara Miami Heat com uniforme desenhado por ele

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São Paulo

“Kobe!” foi o que gritou Anthony Davis ao acertar, no último segundo, o arremesso de três pontos que definiu a vitória por 105 a 103 do Los Angeles Lakers sobre o Denver Nuggets, no jogo 2 da final da Conferência Oeste da NBA. Era como uma criança batendo bola no quintal e berrando o nome de seu ídolo ao imitá-lo.

É assim que o ala-pivô e sua equipe têm jogado durante todos os playoffs, como um tributo muito além do protocolar ao craque Kobe Bryant –morto em janeiro, aos 41 anos, em um acidente de helicóptero. Os Lakers querem jogar como Kobe, gritando Kobe, em um uniforme desenhado por Kobe, vencendo como Kobe. Até aqui, tem funcionado.

Vestido com o uniforme usado em homenagem a Kobe Bryant, Anthony Davis celebra com LeBron James uma vitória dos Lakers obtida no último lance - Kevin C. Cox - 20.set.20/AFP

Após o arremesso certeiro de Davis, o time californiano acabou fechando em 4 a 1 a série contra o Denver, mesmo placar dos triunfos sobre Portland Trail Blazers e Houston Rockets nas fases anteriores. Na decisão da NBA, contra o Miami Heat, o início foi avassalador, com uma vitória por 116 a 98 cujo placar nem faz jus ao total domínio observado em quadra.

Nesta sexta-feira (2), a partir das 22h (de Brasília), no jogo 2 da final, em duelo com transmissão da Band e da ESPN, os Lakers voltarão a usar sua camisa preta, com um tecido que imita as escamas de uma cobra. Criada em 2017 com a colaboração de Bryant, a roupa faz referência ao apelido dele, Black Mamba.

Agressivo diante dos oponentes como uma mamba negra –uma das cobras mais venenosas da África– e incansável no esforço de preparação para as lutas, Kobe fez disso uma espécie de filosofia, a “Mentalidade Mamba”. A certeza do sucesso no arremesso –ainda que acompanhada na sequência pelo fracasso– também era uma marca do ala-armador, motivo pelo qual foi tão significativo o triunfo recente sobre os Nuggets.

“Foi um arremesso Mamba. Aquilo ali foi Mamba. Mentalidade Mamba”, disse o técnico Frank Vogel, no vestiário, logo após o suado triunfo. Em seguida, ele puxou o grito que é repetido pelo grupo antes e depois de todas as partidas realizadas desde o final de janeiro. “Mamba no três: 1, 2, 3, Mamba!”

Naquele jogo, os Lakers estavam usando seu uniforme negro, o mesmo que vestiram na vitória por 135 a 115 sobre o Portland, na primeira rodada dos playoffs, e na vitória por 117 a 109 sobre o Houston, na segunda. São três resultados positivos em três tentativas nos mata-matas, um aproveitamento total que o time espera manter nesta sexta.

“Com aquele uniforme ou não, nós jogamos para honrá-lo. Mas, quando colocamos aquele uniforme, com certeza jogamos com energia extra, com esforço extra, porque simplesmente não podemos perder. Não por arrogância, mas porque sentimos que, se perdermos, vamos desapontar o Kobe. Ele está nos vendo e está extremamente orgulhoso”, afirmou Davis.

A presença de Bryant tem se manifestado também numericamente. Os Lakers estrearam o uniforme preto neste ano no dia 24 de agosto, 24/8, chamado de Mamba Day por reunir os números das camisas usadas pelo craque no time. E o jogo começou com o Los Angeles abrindo 24 a 8 sobre o Portland.

“Eu notei, porque estou sempre olhando para o placar, observando a diferença de pontos, quantas faltas tem cada time e coisas dessa natureza. Quando eu olhei e vi 24 a 8, pensei: ‘OK, ele está no ginásio’. Foi uma noite bonita, algo que provavelmente sempre vamos lembrar”, disse o ala LeBron James.

Kobe, têm certeza os jogadores dos Lakers, está com o time - Sean Gardner - 22.abr.11/Reuters

Contra o Denver, a série foi fechada em um triunfo por 117 a 107. E logo alguém chegou à soma 224, que representa o 24 do craque e o 2 usado por sua filha Gianna, que também jogava basquete e morreu no acidente de helicóptero de janeiro, aos 13 anos. A camisa Mamba tem um número 2 envolvido em um coração, homenagem a Gigi.

“Não passa um dia sem que eu pense nele. Não há um dia em que nosso clube não se lembre dele. Pensamos não só no Kob’ mas também na Gigi e em toda a família”, afirmou James. “No fim das contas, nós só esperamos deixá-lo orgulhoso, sua família orgulhosa. Toda vez que você se veste de roxo e amarelo, pensa no legado que ele deixou.”

LeBron assumiu esse legado. Após a morte de Bryant –com quem havia conversado horas antes do acidente, recebendo os parabéns por tê-lo ultrapassado e assumido o posto de terceiro maior cestinha da história da NBA–, James prometeu colocar os Lakers nas costas, como Kobe havia feito no caminho para cinco títulos entre 2000 e 2010.

LeBron discursou no primeiro jogo dos Lakers após a morte de Kobe e prometeu honrar sua história; após dez anos, a equipe está de novo em uma final - Harry How - 31.jan.20/AFP

Mas ele não está sozinho. Vários jogadores do elenco atual tinham uma relação próxima com o velho campeão. A dona dos Lakers, Jeanie Buss, foi incentivada por Kobe a assumir um papel proeminente na direção do time. Rob Pelinka, o dirigente responsável por montar o grupo, era grande amigo do craque e seu empresário.

Não faltam exemplos da influência de Bryant, refletida até nas tatuagens feitas por James e Davis em sua homenagem. LeBron tem jogado também com o número 24 em uma proteção que usa no dedo, e o nome do ídolo é assunto constante entre os atletas antes, durante e depois das partidas nos arredores de Orlando, onde está sendo concluída a temporada da NBA.

“Sempre que um grupo passa por algo emocionalmente tão profundo, isso forma laços. Foi algo que fortaleceu nosso grupo. Você nunca quer que algo como aquela tragédia aconteça, mas acho que, sim, teve um efeito claro. Já queríamos incorporar tudo o que ele representa antes e passamos a querer ainda mais depois do que aconteceu”, disse o técnico Frank Vogel.

“Ele está conosco. Queremos honrar sua memória.”

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