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Londres tem protesto antirracista com dezenas de milhares de pessoas

Premiê Boris Johnson apoia causa e ressalta que 'vidas negras importam'

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Londres | Reuters

Milhares de pessoas cantando lemas como "sem justiça, sem paz, sem polícia racista" e "vidas negras importam" se reuniram no centro de Londres nesta quarta-feira (3) para protestar contra o racismo depois da morte de George Floyd, sufocado por um policial branco em Minneápolis.

A morte de Floyd gerou revolta nos EUA e em outros países. Houve protestos nos últimos dias também em cidades como Paris, Berlim e Nairóbi.

Manifestantes marcham em Londres contra o racismo e a violência policial - Daniel Leal-Olivas/AFP

Em Londres, no Hyde Park, muitos dos manifestantes usaram máscaras e foram vestidos de vermelho.

Alguns ativistas levaram cartazes com frases como "o Reino Unido não é inocente: menos racista ainda é racista", "racismo é uma questão global" e "se você não está com raiva, você não está prestando atenção".

O premiê Boris Johnson apoiou os manifestantes, desde que os atos sigam a lei e sejam feitos de modo a respeitar o distanciamento social. O Reino Unido é um dos países mais afetados pelo coronavírus no mundo.

"Com certeza, vidas negras importam e eu entendo totalmente a revolta, o pesar que é sentido não apenas na América, mas ao redor do mundo e em nosso país também", disse Boris ao Parlamento.

Mais tarde, durante a entrevista coletiva diária sobre coronavirus no número 10 de Downing Street —residência oficial do premiê—, Boris acrescentou que ficou "chocado e enojado" ao ver o que aconteceu com George Floyd.

"Minha mensagem ao presidente Trump, a todos nos Estados Unidos, é que —e é uma opinião que tenho certeza que é compartilhada pela esmagadora maioria das pessoas ao redor do mundo— o racismo e a violência racista não têm lugar em nossa sociedade", finalizou.

Do lado de fora, manifestantes gritavam "Boris é racista".

O primeiro-ministro foi criticado no passado por comentários racistas. Em 2018, quando era ministro das Relações Exteriores, escreveu em uma coluna de jornal que mulheres muçulmanas usando burcas pareciam assaltantes de bancos ou caixas de correio.

Chefes da polícia britânica disseram ter ficado horrorizados com o modo como Floyd foi morto e pela violência que tomou os EUA em seguida e pediram aos manifestantes no Reino Unido que coordenem seus atos com a polícia, pois as restrições trazidas pelo coronavírus seguem válidas.

"Minha mãe foi uma manifestante contra o apartheid, na África do Sul, 30, 40 anos atrás. É muito desapontador que nós temos de vir aqui protestar pela mesma coisa tanto tempo depois", disse a estudante Roz Jones, 21, no Hyde Park.

Londres já havia registrado um grande protesto pela morte de Floyd no domingo (31), que foi até a embaixada dos EUA na cidade.

Nos Estados Unidos, os atos são realizados há oito dias e, agora, registraram menos episódios de violência. Os toques de recolher à noite seguem sendo desrespeitados, mesmo após Donald Trump dar um ultimato aos manifestantes e enviar militares para conter os protestos.

Floyd foi morto na segunda-feira (25) depois de ter o pescoço prensado contra o chão por quase nove minutos pelo joelho de um policial branco. O agora ex-agente Derek Chauvin foi preso na sexta-feira (29) e transferido para uma prisão de segurança máxima, onde espera julgamento.

Polícia pede que manifestantes na Holanda voltem para casa

Também nesta quarta, a polícia holandesa pediu a milhares de manifestantes na cidade portuária de Roterdã que voltassem para casa porque a manifestação antirracismo estava muito cheia, e os participantes não conseguiram cumprir as regras de distanciamento social.

O comício, realizado em torno da ponte Erasmus, de fato foi encerrado pelos organizadores. Havia cerca de 4.000 pessoas no local, de acordo com a imprensa. A polícia não confirmou o número.

Enquanto muitas pessoas voltavam para casa, alguns pequenos grupos circulavam e gritavam "sem paz, sem justiça".

Um protesto semelhante em Amsterdã, dois dias antes, que inesperadamente reuniu milhares de manifestantes, foi criticado por violar as regras de distanciamento social.

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