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Dura sabatina

1ª negra indicada à Suprema Corte se sai bem em inquirição com embate ideológico

Ketanji Jackson, indicada à Suprema Corte americana, emociona-se durante sabatina no Senado - Anna Moneymaker/AFP

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A primeira indicação de Joe Biden à Suprema Corte americana merece ser chamada de histórica. Se confirmada pelo Senado, onde os democratas têm 50 dos 100 votos mais o poder de desempate, a juíza Ketanji Brown Jackson será a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no tribunal.

Até hoje, apenas dois homens negros chegaram ao posto; a primeira de cinco mulheres foi Sandra O’Connor, indicada em 1981 pelo republicano Ronald Reagan.

Ketanji Jackson, 51, respondeu a cerca de 23 horas de questões na sabatina da Comissão de Justiça, que durou quatro dias e se encerrou na quinta-feira (24).

A tradição nos EUA é um escrutínio muito mais detalhado e incisivo do que os enfrentados pelos candidatos ao Supremo Tribunal Federal no Senado brasileiro. No caso mais recente, o hoje ministro André Mendonça passou por oito horas de perguntas.

A sabatina de Jackson foi marcada por duras inquirições por parte de senadores republicanos, às vezes beirando a desinformação e deselegância. Temas como gênero, aborto, ensino sobre raça e suposta condescendência com o crime de pornografia infantil foram alguns dos tópicos levantados.

Josh Hawley, do Missouri, afirmou que a juíza segue um padrão de "facilitar as coisas para acusados de pornografia infantil". Marsha Blackburn, do Tennessee, pediu que a sabatinada definisse a palavra "mulher". "Eu não sou bióloga", respondeu Jackson.

Se aprovada, ela não mudará a inclinação ideológica majoritária na corte de nove magistrados, uma vez que a ala conservadora conta hoje com seis nomes. Para o presidente Biden, trata-se de um aceno ao eleitorado negro em ano de eleição de meio de mandato.

Esse contingente, embora tenha sido determinante para a vitória democrata em 2020, hoje faz críticas ao mandatário.

As credenciais de Jackson são eloquentes. Foi subeditora da revista acadêmica Harvard Law Review e atuou como advogada e defensora pública. Foi indicada em 2009 para a vice-presidência da Comissão de Sentenciamento, na qual recomendou a redução de penas para crimes ligados a drogas.

A sabatina revelou uma profissional ponderada e à altura do significado histórico de sua indicação.

editoriais@grupofolha.com.br

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