Roubo da Medalha Fields ainda tem capítulo aberto

Caucher Birkar recebeu nova láurea, mas ladrões ainda estão soltos

O curdo radicado no Reino Unido Caucher Birkar recebe uma nova medalha, no Rio  - Lucas Landau/Folhapress
Fernando Tadeu Moraes
Rio de Janeiro

A cerimônia de abertura do 28º Congresso Internacional de Matemáticos,  no Rio, havia acabado e eu já enviara para a Redação o texto sobre o ponto alto do dia, a entrega da Medalha Fields, prêmio mais importante da matemática. Era quarta-feira.

Almoçava num dos food trucks espalhados pelo evento quando começou a circular o boato de que a medalha de um dos laureados fora roubada. Minha reação inicial foi de incredulidade. Seria possível?

Corri para a área onde ficam os assessores de imprensa do evento. A sala estava fechada. Consegui falar com um deles, que me disse que eles ainda estavam tentando entender o que havia acontecido, mas que, sim, a medalha de um dos vencedores fora roubada.

Nesse momento os pontos se ligaram. De pronto, lhe perguntei: foi a do curdo, né? Sim, respondeu o assessor. 

Havia entendido por que, quando fui para a frente do palco observar de perto os vencedores da medalha, vi um dos laureados, o curdo radicado no Reino Unido Caucher Birkar, tenso. Ele falava com um membro da organização. Havia muita gente ali, conversando e tirando fotos. Aproximei-me de Birkar. Em meio à algaravia eu o ouvi dizer: “My medal”. Tinha acabado de se dar conta de que a pasta em que estava sua medalha sumira.

O roubo, claro, tornou-se o assunto do dia. Escrevi rapidamente um novo texto e enviei ao jornal. No dia seguinte, apareceram imagens dos suspeitos. Colegas jornalistas e amigos matemáticos estavam desolados. Na sexta-feira, uma boa notícia: Birkar receberia uma nova medalha.

Era, de certa forma, um final feliz para ele. No sábado, acompanhei a entrega da nova láurea, o penúltimo capítulo dessa história. O último, o da prisão dos ladrões, ainda está em aberto.

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