Marcha pela Ciência em SP mira Bolsonaro, Doria e cortes

Manifestação também contou com feira de ciência para atrair a atenção de pessoas que passavam

São Paulo

Os cortes na ciência, o governo Jair Bolsonaro (PSL) e o governador João Doria (PSDB) foram os principais alvos da Marcha pela Ciência, em São Paulo.

Quem passava pela av. Paulista na tarde deste domingo (7) poderia ouvir, em algum momento gritos como “Ciência é investimento, balbúrdia é o governo” e “Vem, vem pra rua vem pela ciência”.

Em abril deste ano, o ministro da Educação Abraham Weintraub afirmou que há balbúrdia em universidades públicas brasileiras. 

A gestão Weintraub tem sido marcada por bloqueios de verbas para universidades federais —30% para todas as federais, o que representa cerca de R$ 2 bilhões e incide sobre recursos discricionários (que excluem salários, por exemplo). 

O governo Bolsonaro também bloqueou 3.474 bolsas e congelou outras 2.724 bolsas de pós-graduação, fatos que também foram motivo de protestos. 

Além disso, houve corte de 42% no orçamento do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), o que equivale a cerca de R$ 2,1 bilhões.

O pequeno grupo de pessoas, com cerca de 50 pessoas, caminhou, na fria tarde  paulistana, da frente do Instituto Pasteur até o Masp. 

Durante o protesto, com um megafone, os manifestantes disputaram a atenção dos transeuntes com músicos nas calçadas e com caixas de som de jovens.

Segundo Marimélia Porcionatto, secretária regional da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) por SP, mesmo com a pequena presença de manifestantes, o protesto foi bem-sucedido. 

“Por mais que seja noticiado, mesmo assim as pessoas não estão cientes que está havendo esse movimento de desmonte da ciência e educação”, diz Porcionatto.

A pesquisadora aponta que Doria também foi alvo de protestos por conta de cortes e falta de reposição de pessoal. Outro motivo é a concessão do Jardim Botânico —o Instituto de Botânica fica no local— à iniciativa privada.

Além do protesto, instituições de pesquisa levaram uma feira de ciências para a frente do Instituto Pasteur.

No local, era constante a presença de crianças assistindo batalhas de robôs e ouvindo explicações sobre micro-organismos e peixes ameaçados de extinção.

“É importante que eles tomem conhecimento da atividade profissional, que é possível ser cientista”, diz Porcionatto. Segundo ela, estuda-se a possibilidade de tornar esse tipo feira mais frequente, com possibilidade de atividades mensais.

Outras manifestações estão programadas para esta segunda em Olinda, Pernambuco, e Natal, Rio Grande do Norte.

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