Descrição de chapéu Homem na Lua, 50

Questionamento sobre Apollo 11 é marco na história das fake news, diz autor

Supostas anomalias detectadas nas fotos e vídeos alimentam teorias da conspiração

Frédéric Pouchout
Paris | AFP

Bastam alguns cliques para encontrar milhares de sites na internet que questionam a realidade da missão de Apolo 11.

Recorrem-se a argumentos variados para justificar a mentira que teria sido gravada em um estúdio de Hollywood: a Nasa não era capaz de tal façanha; a missão não tinha como levar seres humanos; nenhum homem teria sobrevivido às radiações durante a viagem. Há até ideias mais extravagantes, como a de que as autoridades estariam dissimulando a descoberta de uma civilização lunar.

Todas essas ideias se baseiam no mesmo: supostas anomalias detectadas nas fotos e nos vídeos da Nasa.

 

A luz e as sombras das imagens? Suspeitas. A ausência de estrelas? Prova de manipulação. Assim como a bandeira fincada por Neil Armstrong que parece ondular, apesar de não haver atmosfera na Lua —no caso, a movimentação é explicada por uma reação semelhante à de um pêndulo, provocada após ela ter sido fincada no solo do satélite. 

Embora a comunidade científica tenha refutado com provas todas essas teorias, inclusive com imagens do local de pouso feitas em 2009, o mito da mentira continua vivo.

“Esse episódio é um dos marcos da humanidade. Questioná-lo faz tremer os fundamentos da ciência e do domínio do homem sobre a natureza”, diz Didier Desormeaux, coautor de um livro sobre teorias da conspiração (“Le complotisme, décrypter et agir”). “Apolo 11 é a primeira teoria que se constrói completamente com uma reinterpretação visual de um fato da atualidade: denuncia-se uma encenação.”

Mas a negação da realidade não deveria nos surpreender, segundo Roger Launius, ex-historiador da Nasa em sua obra “Apollo’s Legacy”. “Os conspiracionistas exploram um vasto filão que mescla a desconfiança em relação às instituições, as críticas populistas, os questionamentos sobre a criação do saber e a crítica às ciências.”

Seu sucesso se deve ao fato desses rumores jogarem com “nossos medos mais profundos”. Nos EUA, eles se alimentam da perda de confiança que surgiu com a guerra do Vietnã, com o escândalo Watergate, e no exterior, com um sentimento antiamericanista.

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