Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

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Vaivém das Commodities

Sustentabilidade é uma necessidade de mercado, segundo a Abiove

Entidade quer mostrar ao novo governo a importância do tema na produção de soja

Há 12 anos, indústrias, tradings e produtores estão em busca de um reconhecimento dos importadores de soja, principalmente dos europeus, de que o produto brasileiro é sustentável.
 
Foram instituídos programas, inclusive com a participação de ONGs, como a moratória da soja, para mostrar a sustentabilidade da produção no país.
 
As próprias entidades envolvidas nesse processo querem separar o que é legal do que é ilegal na produção.
 
O cenário hoje já é bem diferente daquele de uma década atrás. "O consumidor lá fora, porém, quer informação e transparência", diz André Nassar, presidente executivo da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

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Plantação de soja em Sertaneja, no norte do Paraná - Mauro Zafalon/Folhapress

 
A mudança de governo não preocupa o setor. "Vamos mostrar ao governo que nossa sustentabilidade faz parte de uma necessidade de mercado. Nosso consumidor quer conhecer a cadeia de produção", diz Nassar.

Segundo ele, "o europeu vai além e quer desmatamento zero. Já o chinês quer rastreabilidade do produto".
 
Nassar diz ter certeza de que o novo governo vai entender essa realidade. É necessário um trabalho conjunto entre consumidores, governo e a cadeia de produção.
 
Nassar destaca que o comprador já reconhece o esforço do produtor que trabalha além das exigências da lei no Brasil. Esse consumidor reconhece que o produtor que age assim deve ser premiado.
 
O presidente da Abiove destaca que no cerrado há pelo menos 1,5 milhão de hectares, em fazendas de soja, que legalmente poderiam ser incorporados na produção.
 
"É um excedente da área legal", diz ele. A cadeia está negociando com os consumidores um fundo de compensação pela manutenção dessas áreas sem plantio.
 
Esse fundo, que seria bancado pelo consumidor europeu, pagaria US$ 150, em média, por hectare por ano para que a área fosse mantida como reserva.
 
Esse valor anual por hectare, que seria pago ao produtor que preservasse a área, pode atingir um aporte de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões em cinco anos.
 
Produção e exportação de soja foram recordes neste ano, o que gerou divisas externas de US$ 40 bilhões no complexo soja (grãos, farelo e óleo), valor nunca atingido antes.
 
Apesar disso, foi um período de desafios, principalmente no setor de logística, devido à greve dos caminhoneiros e à tabela de frete.
 
As preocupações continuam em 2019, na avaliação de Nassar. Entre os problemas estão a necessidade do avanço do asfaltamento da BR-163 e do fim do tabelamento do frete.
 
O presidente da Abiove destaca também a necessidade de investimentos em ferrovias. Na avaliação do setor, o governo precisa se posicionar sobre as prorrogações antecipadas das ferrovias e os investimentos relacionados às concessões.
 
O setor acredita muito também na produção de biodiesel, agora com um novo cronograma de mistura.
 
Em 2019, serão processados 43 milhões de toneladas de soja no país, 18 milhões irão para a produção de biodiesel. Em 2023, com a mistura em 15%, a moagem para o setor será de 33 milhões de toneladas.
 
  
 
Produção de carne de frango recua para 12,8 milhões de toneladas neste ano

A produção de carne de frango deverá recuar para 12,8 milhões de toneladas neste ano, 1,7% menos do que em 2017. O consumo médio per capita, que cai para 41,8 quilos, terá retração de 0,63%.
 
Os dados são da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que prevê, ainda, queda de 4,9% nas exportações. O país deverá colocar 4,1 milhões de toneladas no mercado externo neste ano.
 
O setor de carne suína também apresentará quedas, segundo a ABPA. A produção cai 3,2%, para 3,6 milhões de toneladas, e as exportações recuam 8%, para 640 mil toneladas em 2018.
 
O consumo per capita será 2,6% menor, se retraindo para 14,35 quilos neste ano.

Produtores de soja usam mais recursos próprios na produção, diz Imea
 
 
Os produtores de soja de Mato Grosso vão usar mais recursos próprios na produção do que no ano passado.
 
Segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), pelo menos 19% do dinheiro que será utilizado nessa lavoura sairá do bolso do produtor.

As multinacionais, que participaram com 35% dos recursos na safra passada, entram com 30% nesta.
 
As revendas e o sistema financeiro também elevam a participação no financiamento das lavouras no Estado, segundo o instituto.
 
O grande destaque no estado será novamente o algodão, cuja área sobe para 938 mil hectares, 18% mais do que em 2017/18.
 
As áreas de soja e de milho sobem 1,6% 1%, respectivamente.

 

Multas  A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) recorreu, nesta quinta-feira (13), da decisão do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), de revogar a suspensão da aplicação de multas pelo eventual descumprimento da tabela mínima de preços do frete.
 
Inconstitucional Para a CNA, o tabelamento do frete é inconstitucional e fere o princípio de livre concorrência. Além disso, traz insegurança jurídica ao agronegócio.

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