JOÃO PEDRO PITOMBO
DE SALVADOR

MARCELO TOLEDO
DE RIBEIRÃO PRETO

Principais destinos turísticos do Nordeste, Bahia, Pernambuco e Ceará foram os três Estados brasileiros que mais registraram piora nas condições de balneabilidade das praias em relação a 2016.

Pernambuco teve piora em 27 das 50 praias monitoradas. Na Bahia, 26 das 113 praias estão piores que o ano passado. Já no Ceará teve queda na qualidade de 16 dos 56 trechos avaliados, sendo 15 deles na capital Fortaleza.

Uma das praias preferidas de quem vive em Fortaleza e de turistas que visitam a capital cearense, a Praia do Futuro teve qualidade imprópria em seis dos sete pontos de coleta em 2017. Há um ano, o cenário era o oposto: das sete praias, seis eram próprias.

Na Bahia, cidades como Salvador, Ilhéus e Porto Seguro foram afetadas. Em Ilhéus, as procuradas praias do sul, que há um ano tiveram balneabilidade regular, este ano estavam em condição péssima. O mesmo aconteceu com o trecho em frente ao Opaba Praia Hotel.

Até mesmo na badalada vila de Trancoso, em Porto Seguro, as águas estão menos limpas que há um ano. Se em 2016, a Praia dos Nativos era considerada boa, própria em todas as medições, este ano teve classificação regular.

O mesmo aconteceu em Morro de São Paulo, onde até mesmo as mais isoladas terceira e quarta praias estiveram impróprias em algumas semanas do ano.

Em Salvador, a praia do Farol da Barra era uma das raras praias das cidades consideradas boas em 2016. Um ano depois, o cenário era o inverso: a praia foi classificada como regular no trecho em frente ao edifício Oceania e ruim no trecho junto ao restaurante Barravento.

"Espero que o pessoal continue frequentando. Se a água tiver ruim, que venham para tomar sol e beber uma cerveja", disse o ambulante Vadeldenir Gomes, preocupado em perder seu público fiel na praia do Farol para quem vende protetor solar.

Ao todo, 27 praias estiveram ruins ou péssimas em 2017 –ou seja, impróprias para banho em mais de 25% das coletas. Além dos motivos usuais de despejo irregular de esgoto em rios e córregos, a capital baiana enfrentou problemas mais graves.

A Polícia Federal identificou em investigação o lançamento de esgoto sem o devido tratamento por um período de dois anos, resultado de defeito em uma das bombas do emissário submarino do Rio Vermelho, que atende a 60% da demanda da cidade.

Em novembro, quando a Polícia Federal fez busca e apreensão de documentos na Embasa, empresa estadual de água e saneamento da Bahia, a estatal afirmou que a estação de tratamento está funcionando. Contudo, admitiu que as bombas de peneiramento estavam operando parcialmente por defeitos de fabricação

MELHORIA

Na contramão dos três Estados nordestinos, o Rio de Janeiro e Santa Catarina foram os Estados em que mais praias melhoraram entre 2016 e 2017.

No Rio, 73 praias subiram de patamar nos indicadores de balneabilidade. Destaque para a praia do Leblon, no qual os três pontos de coleta tiveram qualidade ruim no ano passado e passaram a ser regulares este ano.

Em Santa Catarina, 36 praias registraram melhora no período de um ano, sendo 12 em Florianópolis –incluindo trechos das praias Brava, dos Ingleses e Jurerê.

Presidente da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina, Alexandre Waltrick Rates, afirma que também houve um crescimento dos pontos de coleta considerados próprios, que avançou de 73% em 2016 para 80% este ano.

"Isso é bom, balneabilidade é saúde pública", afirma Rates, destacando investimentos na construção de estações de tratamento de esgoto nos últimos anos.

Crédito: PARAÍSO E INFERNOOs melhores e piores trechos seguidos de praias do país

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