DE SÃO PAULO

O Estado de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (18) uma nova antecipação da campanha de vacinação contra febre amarela. Com isso, o mutirão que disponibilizará doses fracionadas para 54 cidades paulistas passa para quinta, 25 de janeiro.

A capital paulista já tinha anunciado, horas antes, a antecipação para o dia 26 –25 é feriado na cidade–, com o objetivo de imunizar 2,5 milhões de pessoas em 15 distritos das zonas leste e sul.

A campanha emergencial foi anunciada inicialmente para 3 de fevereiro, mas foi antecipada diante do grande volume de pessoas que têm procurado a vacina nos postos do Estado –primeiro para o dia 29, depois para 25. No Rio, o mutirão que seria dia 19 de fevereiro também deverá ocorrer dia 25. Apenas a campanha continuará entre 19 de fevereiro e 9 de março.

Febre Amarela

Segundo o secretário de Saúde da capital paulista, Wilson Pollara, a medida serve para acalmar a população, que está lotando postos de saúde e se expondo em áreas de risco para receber a dose. "Eles precisam ver que a vacina vai chegar no seu bairro, você não precisa buscar em outro lugar", afirmou.

"Um absurdo ver uma pessoa sair de São Paulo e ir para Mairiporã [na Grande SP] para receber a vacina. É o maior absurdo que tem. Ela vai ficar lá numa fila de cinco, seis horas, exposta ao mosquito com a doença e vai estar protegida só daqui a 10 dias. Vai sair de uma região segura para tomar uma vacina numa região contaminada", disse.

A Prefeitura de São Paulo chegou a solicitar, nesta quinta, 150 mil doses da vacina contra a febre amarela ao Ministério da Saúde, o que, segundo o secretário, vai garantir o abastecimento dos postos até o início do mutirão, que iniciará a aplicação das doses fracionadas, que têm com 0,1 ml da vacina –a dose padrão tem 0,5 ml.

As vacinas fracionadas têm o mesmo efeito da padrão, mas menor tempo de duração. Enquanto a dose padrão vale para a vida toda, a fracionada deverá ser reforçada em oito anos, segundo estudos apontados pelo Ministério da Saúde.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a campanha seguirá até 17 de fevereiro e se estenderá por 54 municípios (veja lista abaixo), sendo que nos dias 3 e 17 do próximo mês os postos deverão operar em regime especial para intensificar a imunização –serão dos "Dias D" da campanha.

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ÁREAS DE RISCO

Ainda de acordo com a pasta, os locais priorizados na campanha foram definidos por critérios epidemiológicos após análises técnicas e de campo feitas pelo CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica/Divisão de Zoonoses) e Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) em locais de concentração de mata.

O mutirão vai alcançar as regiões da Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Baixada Santista. Na capital, a campanha estará em 15 distritos das zonas leste e sul: Campo Limpo, Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Jardim São Luís, Pedreira, Socorro e Vila Andrade, na sul; e Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Guaianazes, Iguatemi, José Bonifácio, Parque do Carmo, São Mateus e São Rafael, na leste.

Ao todo, serão encaminhadas à São Paulo 6,3 milhões de doses fracionadas, além de 2 milhões da padrão, já que essa ainda será disponibilizada a crianças com idade entre nove meses e dois anos incompletos, pessoas que viajarão para países com exigência da vacina, grávidas residentes em áreas de risco e portadores de doenças crônicas –como diabéticos, cardiopatas e renais crônicos, por exemplo.

Nas áreas do Estado onde já há vacinação em razão da circulação do vírus, como a zona norte da capital, a imunização seguirá com a vacina padrão. Até esta quinta, a Prefeitura de São Paulo contabilizava 1,3 milhão de pessoas vacinadas na zona norte, sendo que meta inicial era vacinar 2,4 milhões.

Em relação ao número ainda distante da meta, Pollara diz que não houve erro da prefeitura, mas falta de procura da população local. "Não foi culpa nossa não. A população da zona norte é que diminuiu [a procura]. Em dezembro inteiro ficamos a disposição lá e ninguém foi se vacinar", afirmou, destacando o aumento da procura apenas nas últimas semanas.

Na zona sul de São Paulo, onde alguns distritos começaram a ser vacinados em dezembro, já foram aplicadas 447.982 doses, e no distrito de Raposo Tavares, na zona oeste, foram imunizadas outras 45.807 pessoas.

A Folha visitou algumas UBS e encontrou, nos últimos dias muita fila, desinformação e até brigas, situação que o secretária apontou como normal. "É normal numa situação de total descontrole como essa. A população ficou totalmente descontrolada. Você chega pra abrir [o posto] às 7h e tem uma fila que já teve três brigas durante a noite. Não tem o que fazer".

Apesar de desaconselhar a imunização de pessoas cujos bairros ainda não estão no mapa da da campanha para vacinação, o secretário afirmou que não serão exigidos documentos para comprovação do local de moradia na hora de receber a dose.

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que registrou 12 casos de febre amarela em dezembro e janeiro, sendo que sete evoluíram ao óbito. Mas em nenhum dos casos, a pessoa contraiu a doença na capital paulista.

Na última terça (16), a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu todo o Estado de São Paulo no mapa de risco de febre amarela e recomendou a vacinação de viajantes internacionais com destino a qualquer município paulista, seja em área urbana ou de mata.

No Rio de Janeiro, a campanha deverá imunizar 7,7 milhões de pessoas com as doses fracionadas e outras 2,4 milhões com a padrão, em 15 municípios.

HOSPITAL DAS CLÍNICAS

O Hospital das Clínicas de São Paulo também anunciou que, a partir de sexta-feira (19), aplicará vacina contra febre amarela apenas em pessoas que viajarão para lugares que exigem a imunização e pacientes em condições especiais. No primeiro caso, será exigido documento que comprove a viagem e no segundo, a pessoa deverá ser encaminhada da rede básica de saúde, mediante solicitação escrita.

Segundo a assessoria do HC, a medida foi tomada devido ao grande aumento da procura pela dose, que estaria prejudicando a imunização de pessoas que realmente precisam da vacina. Nos últimos dias, o hospital chegou a distribuir senhas para auxiliar o trabalho de imunização, chegando a ceder 500 senhas por dia.

O certificado internacional de vacinação de febre amarela também não está sendo emitido pelo centro de humanização do hospital, temporariamente. Segundo o HC, os certificados deverão ser obtidos nos postos da Anvisa mediante o comprovante de vacinação.

Crédito: FEBRE AMARELA NA CAPITALSó deve tomar a vacina agora quem mora ou trabalha em áreas de risco de São Paulo

Cidade e população-alvo da campanha:

Diadema: 365.124
Mauá: 396.690
Ribeirão Pires: 105.651
Rio Grande da Serra: 41.503
Santo André: 623.152
São Bernardo do Campo: 707.474
São Caetano: 94.435
Bertioga: 46.251
Cubatão: 104.440
Guarujá: 275.974
Itanhaém: 85.935
Mongaguá: 45.537
Peruíbe: 57.847
Praia Grande: 260.175
Santos: 333.561
São Vicente: 317.339
Caçapava: 79.433
Igaratá: 6.804
Jacareí: 198.278
Jambeiro: 5.366
Monteiro Lobato: 3.978
Paraibuna: 16.549
Santa Branca: 12.466
São José dos Campos: 566.323
Caraguatatuba: 89.603
Ilhabela: 25.689
São Sebastião: 58.288
Ubatuba: 74.237
Aparecida: 33.222
Arapeí: 2.448
Areias: 3.675
Bananal: 9.715
Cachoeira Paulista: 28.388
Canas: 4.507
Cruzeiro: 72.051
Cunha: 21.530
Guaratinguetá: 93.274
Lagoinha: 4.475
Lavrinhas: 6.623
Lorena: 77.075
Natividade da Serra: 6.549
Pindamonhangaba: 138.567
Piquete: 13.955
Potim: 20.158
Queluz: 11.248
Redenção da Serra: 3.745
Roseira: 9.721
São Bento do Sapucaí: 0
São José do Barreiro: 4.036
São Luís do Paraitinga: 10.013
Silveiras: 5.832
Taubaté: 253.003
Tremembé: 42.025
Capital: 2.500.000
TOTAL: 8.373.937

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