Veja tudo o que já se sabe sobre o assassinato da vereadora Marielle

Política e motorista foram mortos no Estácio; crime chocou o país

São Paulo

Sob pressão de políticos, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e de instituições internacionais, a Polícia Civil do Rio tenta elucidar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), 38, e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, 39. 

Pela ação dos criminosos, a principal linha de investigação é de homicídio doloso (com intenção de matar) e premeditado. Ninguém foi preso até o momento.

Veja abaixo o que já se sabe sobre o crime.

 

Onde Marielle foi morta?
vereadora foi assassinada dentro do carro, no bairro Estácio (centro do Rio), por volta das 21h30 de quarta-feira (14). Seu veículo foi atacado a tiros, enquanto ela voltava de um encontro com mulheres negras na Lapa, também no centro, a cerca de 4 km dali. Marielle estava no banco de trás de um Chevrolet Agile branco com sua assessora, que sofreu ferimentos leves. Na frente, estava seu motorista, Anderson Pedro Gomes, 39, que também morreu.

Como os criminosos agiram?
O carro dos criminosos emparelhou com o veículo em que Marielle estava, na rua Joaquim Palhares, próximo à estação Estácio do metrô. Após atirarem, eles fugiram em disparada sem roubar nada.

Quantos tiros foram disparados?
Ao todo, foram 13 tiros. O carro foi atingido nove vezes, sendo que todas as balas foram em direção ao banco traseiro, onde ela estava, segundo a Polícia Civil. Quatro tiros atingiram a cabeça da vereadora. Outros três, a lateral das costas do motorista. Como a maior parte dos disparos atingiram a vereadora, os investigadores da Polícia Civil avaliam que o atirador sabia que Marielle estava sentada naquele lugar.

Que arma foi utilizada no crime?
A polícia ainda não sabe que tipo de arma foi usado pelos criminosos. Segundo a perícia, a munição utilizada foi calibre 9 mm, que pode ser disparada por pistolas ou por submetralhadoras. O calibre 9 mm não pode ser vendido à população. Ele pode ser adquirido legalmente por colecionadores, atiradores esportivos e forças de segurança. Porém é comercializado com poucas restrições no Paraguai e entra no Brasil ilegalmente para abastecer o mercado negro.

Qual é a origem da munição usada no ataque?
A munição que matou Marielle foi comprada pela Polícia Federal em dezembro de 2006. Segundo a perícia, é a mesma que foi usada para matar 17 pessoas em agosto de 2015 nas cidades de Osasco e Barueri (Grande SP). À época, a investigação da polícia paulista descobriu que parte das cápsulas encontradas no local do crime pertencia ao lote UZZ-18, comprado pela PF de uma empresa privada. No caso de São Paulo, três policiais militares e um guarda civil foram condenados pela chacina. De acordo com a polícia, não é possível dizer se o grupo da chacina paulista tenha relação com os suspeitos que mataram a vereadora carioca.

É comum desvios de munição comprada por órgãos oficiais no país?
Sim. Segundo a polícia, também é comum que cápsulas de projéteis já disparados sejam reaproveitadas.  No caso do assassinato de Marielle e de seu motorista, a munição não tinha sinais de modificações. A vereadora morreu com tiros de pistola calibre 9 milímetros, o mesmo modelo de arma usado por agentes de segurança.

Qual a principal suspeita da polícia?
O chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, admitiu que o crime pode ter sido uma "execução", mas afirmou que a investigação está sob sigilo. Os indícios são fortes de que tenha ocorrido um crime de encomenda porque nada do carro foi levado, o que enfraquece que a intenção dos criminosos tenha sido um assalto, por exemplo.

Há imagens do crime?
Sim. Os investigadores da Divisão de Homicídios fazem buscas, desde a noite do dia do crime, por imagens de câmeras de segurança entre a Lapa e Estácio. A polícia quer descobrir o trajeto realizado pela vereadora e, assim, descobrir em qual ponto exato o carro começou a ser seguido. A polícia acredita que a placa do carro dos criminosos era fraudada. Segundo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, todas as câmeras da região foram solicitadas e as imagens já estão sendo analisadas.

Como os criminosos sabiam onde o carro dela ia passar?
A polícia investiga a possibilidade de a vereadora ter sido seguida desde que deixou o evento com mulheres na Lapa até o momento em que foi assassinada. De acordo com os investigadores, imagens de câmeras de segurança da região da Lapa registraram dois homens parados dentro de um veículo por duas horas nas cercanias da Casa das Pretas, na rua dos Inválidos (Lapa), onde Marielle participava de uma roda de conversa. Cerca de quatro quilômetros separam os dois locais. No trajeto, o carro em que Marielle estava circulou por diversas ruas movimentadas, sendo atacado no momento em que passava por um local mais ermo. 

Quantas pessoas estavam envolvidas no crime?
A placa do veículo em que estavam os dois homens foi identificada e indica que o carro é de Nova Iguaçu, (Baixada Fluminense). Investigadores tentam rastrear os interlocutores da dupla nas conversas telefônicas, e dados das operadoras estão sendo coletados. A polícia trabalha com a hipótese de que mais de um carro participou da ação. Nas cenas flagradas por câmeras na Lapa, é possível ver dois carros trocando sinais de farol durante a movimentação de saída da vereadora da Casa das Pretas. As investigações apontam que um terceiro veículo pode ter participado do crime seria aquele que emparelhou com o carro da vereadora no momento do assassinato. A polícia, porém, desconfia que este último pode ser um dos primeiros carros a segui-la. A confirmação depende ainda de novas análises de câmeras de rua.

A vereadora tinha recebido ameaças?
Segundo o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), ela não chegou a receber ameaças formalmente, mas sua militância, engajada na proteção de vidas de moradores de comunidades, principalmente contra mortes praticadas por policiais, pode ter sido uma das motivações.

Quais eram suas militâncias?
A vereadora se denominava feminista, negra e criada na comunidade da Maré, na zona norte do Rio. Ela militou por essas três frentes em conjunto. Sua principal militância era pela defesa dos moradores de favelas, principalmente os negros e mulheres. No último sábado (10), denunciou supostos abusos do 41º batalhão, de Acari, o que mais matou pessoas nos últimos cinco anos, segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública).

O que a única sobrevivente do ataque contou à polícia sobre o crime?
Ela disse que só conseguiu ouvir um estrondo e não viu nada do que ocorria fora do carro no momento em que os tiros foram disparados. Ela conseguiu apenas retirar a perna de Anderson do acelerador, que naquela altura já estava morto, desligar o carro e se jogar para fora. Agachada, ela se locomoveu até conseguir avisar o marido sobre o ataque, que acionou o socorro mais próximo. Assim que foi encontrada, a assessora, que foi apenas atingida por estilhaços, tremia sem parar. Após ser medicada no hospital, ela prestou depoimento por três horas à polícia.

A Polícia Federal entrou nas investigações?
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, chegou a manifestar que pediria a federalização das investigações sobre o crime. Na prática, a medida significaria a entrada da Polícia Federal no caso. "Certamente, a participação da Polícia Federal é importante nesse episódio, porque o crime no Rio é relativo a todas as áreas", disse. Nesta sexta (16), ela ensaiou um recuo na proposta. "O pedido de federalização é um passo que vai ser avaliado oportunamente, na medida em que todas essas investigações se desenrolem. A nossa expectativa é de que isso não seja necessário", disse. O comando das investigações continua com a Polícia Civil do Rio.

UOL

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