Descrição de chapéu violência polícia civil

Já me acostumei com os gritos de 'socorro' e 'pega ladrão' na Frei Caneca

Frequentadores de via próxima à Paulista relatam ataques de grupos

Rua Frei Caneca, onde uma série de roubos foi registrada nos tempos
Rua Frei Caneca, onde uma série de roubos foi registrada nos tempos - Patricia Stavis - 10.abr.2018/Folhapress
Paulo Muzzolon
São Paulo

​Quem mora nas imediações do shopping Frei Caneca já está acostumado a ouvir gritos de “pega ladrão”.

A via próxima à avenida Paulista, na região central de São Paulo, transformou-se em palco comum desse tipo de ataque violento. Nos três primeiros meses deste ano ao menos 75 roubos foram registrados só na Frei Caneca —acréscimo de 21% em relação ao mesmo período de 2017.

O público que frequenta os bares da região e desce a rua homônima madrugada adentro na volta para casa é alvo fácil tanto para batedores de celular quanto para duplas ou até grupos com abordagem agressiva.

Os ladrões usam muito como esconderijo e via de fuga a rua Penaforte Mendes, escura e ao lado do shopping. Ela também é usada por muita gente para chegar aos pontos de ônibus da av. Nove de Julho. Tornam-se alvos fáceis para os ladrões da área.

 
 

Morador do bairro, quase todo fim de semana escuto gritos de “pega ladrão”, “meu celular”, “ele correu para lá”, “socorro, polícia”. Às vezes alguém briga com os assaltantes e apaga. Em outras, um grupo consegue forçar bandidos a devolverem os pertences, geralmente também com uso da força.

De vez em quando alguém chama a polícia, mas, pelos relatos dos porteiros, geralmente fica por isso mesmo.

Há quem diga por ali que a violência cresceu com a queda da prostituição, com boates dando lugar a baladas —supostamente cafetões impediriam assaltos para evitar que a polícia afugentasse clientes. Ao mesmo tempo, jovens ávidos por diversão entupiram as ruas.

Além disso, a venda de drogas é corriqueira. Basta uma caminhada na rua Peixoto Gomide, no trecho entre a Augusta e a Frei Caneca, para ser abordado por traficantes —”maconha, mano?”; “tenho pó”; “ó a bala”.

O Baixo Augusta atrai pessoas de todos os estilos e tornou-se referência da noite paulistana. Deu brilho a essa parte do centro, ajudou a valorizar imóveis e permitiu que negócios florescessem por ali. Mas precisa de mais segurança para que frequentadores (e moradores) não precisem se refugiar, de novo, pelos shoppings e outros lugares privados da cidade.

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