Ex-PM investigado por morte de Marielle diz que família sofre ameaças

Defesa também pediu o afastamento de delegado por supostas ilegalidades

Jovem usa máscara de Marielle em ato para lembrar os dois meses da morte da vereadora
Jovem usa máscara de Marielle em ato para lembrar os dois meses da morte da vereadora - Silvia Izquierdo - 14.mai.18/ Associated Press
Bernardo Tabak
Rio de Janeiro

​O advogado Renato Darlan, que defende o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, suspeito de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, afirmou, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (15), que a família do ex-PM está sendo vítima de ameaças. 

A mulher do suspeito, que pediu para não ser identificada, disse que teve que sair de casa com a família e parentes e que também não está indo trabalhar. Ela relatou que teve uma das cercas elétricas de sua casa cortada.

Também conhecido como Orlando de Curicica, Araújo é apontado como membro de uma milícia da zona oeste do Rio e já estava preso preventivamente por um assassinato ocorrido em 2015, além de outros crimes, quando uma testemunha o apontou como um dos mandantes da morte de Marielle. Ele nega

Segundo seu advogado, Orlando disse ter sofrido tentativa de envenenamento no presídio de Bangu. “Um carcereiro revelou a ele que ofereceram R$ 1 milhão para envenenar a comida”, disse Darlan, afirmando ainda que o suspeito já está sem comer há cinco dias. 

A defesa do ex-PM também pediu, nesta terça, o afastamento do titular da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, Giniton Lages, que, segundo o defensor, teria “cometido várias ilegalidades”, como intimidação e coação de Orlando, para ele assumir a participação no crime. 

“Orlando contou que recebeu a visita do Giniton Lages que o obrigou a assumir o crime. Ele (Giniton) disse que só queria prender o vereador Marcello Siciliano e me daria o perdão legal”, afirmou Darlan. Nas palavras do advogado, a suposta intimidação do titular da DH foi um “blefe de iniciante. 

Segundo Darlan, Giniton teria dito a seu cliente que, caso ele não assumisse o envolvimento, Orlando seria imputado em outros dois homicídios, entre eles o de Carlos Alexandre Pereira, um assessor de Siciliano. 

O advogado finalizou a entrevista desta terça dizendo que, em depoimento a ser prestado na quarta (16) à Polícia Civil e ao Ministério Público, Orlando vai revelar informações e nomes que comprometem a tese do envolvimento dele com o assassinato de Marielle.

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