Polícia cumpre mandados de prisão ligados ao caso Marielle Franco

Agentes foram a endereços no Rio, Baixada Fluminense, região serrana e MG

Lucas Vettorazzo Júlia Barbon
Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio cumpriu nesta quinta-feira (13) mandados de prisão e de busca e apreensão ligados às mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, há nove meses sem solução

Agentes da Delegacia de Homicídios da capital foram a 15 endereços espalhados pelos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais: na zona oeste da cidade do Rio, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), Angra dos Reis (sul do estado), Petrópolis (região serrana) e Juiz de Fora (MG).

A polícia não divulgou nenhum resultado concreto. Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, chefe da Polícia Civil do Rio, a ação estratégica "estava buscando provas concretas para a condenação dos assassinos". "Eu não posso levantar o sigilo senão eu estrago a investigação", afirmou.

Segundo a polícia, a operação visava cumprir mandados oriundos de inquéritos policiais paralelos ao caso Marielle.

O jornal O Globo afirmou que o alvo da operação seria uma quadrilha especializada em clonagem de veículos, suspeita de ter clonado o Cobalt prata usado pelos assassinos da vereadora (carro que até hoje não foi achado).

Em evento, o chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, porém, evitou dar detalhes da operação e não confirmou essa informação. "É uma ação estratégica sobre o crime do Anderson e da Marielle. Eu não posso levantar o sigilo senão eu estrago a investigação. Uma investigação tem que levar provas robustas, concretas, para a condenação. O que a Policia Civil está fazendo é buscando provas concretas para a condenação dos assassinos de Anderson e Marielle."

As investigações estão sob a coordenação dos interventores federais na segurança pública do RJ, no comando das polícias do estado desde fevereiro até 31 de dezembro.

Marielle e Anderson foram mortos a tiros no dia 14 de março, quando retornavam de uma reunião política na Casa das Pretas, na Lapa (centro do Rio). Desde então, autoridades declararam que o caso estava perto do fim ao menos cinco vezes, mas poucas informações concretas foram divulgadas e as apurações vêm sendo questionadas.

Até novembro, a principal linha de investigação continuava apontando para o vereador Marcello Siciliano (PHS) como mandante do crime junto com o ex-PM e miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica, por supostas desavenças com Marielle na zona oeste do Rio, segundo inquérito de milhares de páginas obtido pela TV Globo —o que eles negam desde o início.

Naquele mês, a Polícia Federal começou uma “investigação da investigação” a pedido do Ministério Público Federal para verificar uma denúncia de Curicica de que a Delegacia de Homicídios e o chefe da Polícia Civil teriam recebido dinheiro para não investigar assassinatos cometidos pelo chamado "Escritório do Crime".

Essa é outra linha de investigação: as mortes de Marielle e Anderson teriam sido cometidas por um grupo de matadores de aluguel formado principalmente por policiais expulsos da PM, a mando de contraventores.

O objetivo dos investigadores com a prisão da quadrilha de clonagem de veículos nesta quinta, de acordo com O Globo, seria obter provas contra esse grupo de matadores, uma vez que a hipótese de participação do miliciano Orlando de Curicica já teria sido descartada pela Polícia Civil —o que também não foi confirmado pelo chefe da corporação. 

O motivo do crime ainda não está claro. Pessoas próximas de Marielle dizem, por exemplo, que ela não tinha atuação forte na zona oeste e que desconhecem rivalidades entre ela e Siciliano. O fio condutor da teoria que envolve o vereador e Curicica são duas testemunhas que procuraram a polícia.

Essas duas testemunhas levaram a outros cinco homens que, assim como os detidos nesta quinta, estão presos por outros crimes, mas são suspeitos de relação com a morte de Marielle. O principal deles é o próprio Orlando de Curicica, preso desde outubro de 2017 por porte ilegal de arma.

Ele responde a pelo menos oito processos criminais, incluindo cinco homicídios. Entre as mortes está a do assessor informal de Siciliano, Carlos Alexandre Pereira Maria, o Alexandre Cabeça, morto menos de um mês após Marielle.

Há suspeita de “queima de arquivo", assim como no caso do policial reformado Anderson Claudio da Silva, assassinado dois dias depois de Alexandre. Também estão presos pela morte do assessor Thiago Bruno Mendonça (suspeito de ter monitorado os passos de Marielle e clonado o carro usado no crime) e Ruy Ribeiro Bastos.

Os outros dois são Alan de Morais Nogueira e o ex-bombeiro Luis Cláudio Ferreira Barbosa, presos desde julho por duas mortes na Baixada Fluminense em fevereiro de 2017. Nogueira estaria no carro dos executores de Marielle, segundo a testemunha-chave.

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