Descrição de chapéu Folha Verão

Pouco conhecida, Rififi é refúgio de surfistas e veranistas em Floripa

Trecho entre praias da Joaquina e Campeche atrai paulistas em buscas de onda e orla tranquila

Juliana Sayuri
Florianópolis

Digite “Rififi” no Google. Além de um filme francês noir da década de 1950, inspirado no romance de Auguste Le Breton (1913-1999), quase não há pistas sobre a palavra. Entretanto, em Florianópolis (SC), Rififi é uma pequena comunidade entre as badaladas praias da Joaquina e do Campeche, no leste da ilha catarinense.

Refúgio de surfistas em busca de ondas menos disputadas e veranistas em busca de orla mais tranquila, a área tem ares bucólicos e estilo rústico, com vias não asfaltadas, pequenas casas e crianças jogando futebol na rua. 

Foram as crianças do bairro que construíram pequenas plaquinhas de madeira ao longo da trilha de cerca de 300 metros ao mar. Uma delas diz: “a onda é se conectar com a natureza”.

Encravado entre as dunas do Novo Campeche (patrimônio paisagístico e natural) e o mini-parque da Lagoa Pequena (área verde de lazer), o Rififi, às vezes grafado como “Reefifi”, oficialmente integra o bairro Rio Tavares.

 

Extraoficialmente, o cantinho foi construído paulatinamente por poucas famílias nos últimos 20 anos. Algumas ruas foram pavimentadas com bloquetes, outras improvisadas com britas. 

“Era um canto desconhecido, mas o pessoal está começando a descobrir”, diz o surfista paulistano Thiago Jorge Barroso, 30, que hesitou em dar entrevista para “não crowdear o pico” (lotar o lugar). 

Formado em tecnologia mecatrônica, Thiago se mudou para a capital catarinense no verão de 2014. “Na Joaquina, a onda quebra melhor, mas muita gente fica ali. No Rififi, o mar varia bastante, mas é muito bom”, define.

“Dizem as línguas que um surfista gaguinho ia dizer que o ‘rifi’ estava bom, aí virou Rififi”, conta Thiago, citando a gíria do surfe “reef” —fundo de areia para formação de ondas.

A nutricionista paulista Suemi Ariki, 41, costumava passar férias com a família em Florianópolis. Na primavera de 2015, ela se mudou de vez para a ilha, em busca de saúde, equilíbrio e estilo de vida mais tranquilo. Ela encontrou: “uma praia mais isolada, uma trilha leve, uma vizinhança legal, é um paraíso, né?” 

Além de recados de estilo hippie ao longo do trajeto ao mar (um indica o “caminho da felicidade”, outro propõe “respire e se encante”), moradores deixam algumas garrafas pet penduradas nas árvores, contendo sacolinhas plásticas para que os visitantes recolham o próprio lixo ao ir embora. 

Na alta temporada, que se estende de dezembro ao fim do Carnaval, o movimento do Rififi aumenta, mas relativamente —é pouco diante das vizinhas Joaquina e Campeche. Como há poucas pousadas nos arredores, os habitués são surfistas e famílias que já conhecem a área. 

 

O gaúcho Diogo Neto, 38, dono do único mercadinho no bairro, está organizando uma associação com 70 integrantes, a “Floripa Rififi Roots”, para aproximar os vizinhos, cuidar do bairro e garantir segurança, com um tipo de vigilância solidária. 

Para Diogo, melhorias necessárias incluem saneamento, iluminação e instalação de ciclovia na Lagoa Pequena. “Todo mundo é bem-vindo, mas é preciso respeitar para ser respeitado”, diz ele, que reside na região desde 2003.

Outros moradores torceram o nariz para esta repórter: “É um paraíso escondido. Se você conta do ‘beach break’ do Rififi, não tem mais paz: vai atrair ‘haole’ (‘rauli’ na versão aportuguesada, que quer dizer gente de fora), vai virar um Novo Campeche”, diz um catarinense, que preferiu não se identificar, sobre as possíveis pressões do mercado imobiliário e da indústria turística. 

Segundo Vinicius de Luca Filho, superintendente municipal de Turismo, a cidade possui 42 praias oficiais, mas estima-se mais de cem extraoficiais. Além do Rififi, Vinicius cita a Praia do Saquinho e a Praia da Solidão, no extremo sul da ilha, para quem busca sossego, sombra e água fresca.

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