Descrição de chapéu Rio de Janeiro Chuvas

Governador do Rio atribui tragédia à falta de fiscalização e às ocupações irregulares

Cinco pessoas morreram após temporal atingir a cidade na noite de quarta e na madrugada de quinta

Ana Luiza Albuquerque Lucas Vettorazzo
Rio de Janeiro

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), culpou a falta de fiscalização na ocupação desordenada de encostas e morros pela tragédia ocorrida na cidade entre a noite de quarta-feira (6) e a madrugada desta quinta (7). 

Ao menos cinco pessoas morreram devido ao temporal, que teve ventos de até 110 km/h, quedas de pelo menos 170 árvores, oito postes de luz e barreiras em diversos pontos da zona sul e zona oeste, regiões que foram as mais afetadas. 

A fala de Witzel foi uma crítica à atual Prefeitura do Rio e a administrações anteriores. Segundo ele, não houve controle efetivo da expansão imobiliária das favelas e encostas. A Defesa Civil, afirmou o governador, tem levantamento que mostra que 80 mil famílias estariam vivendo em áreas de risco no estado.

Segundo ele, o poder público do Rio "fechou os olhos para a ocupação desordenada, e o resultado são as tragédias que estamos assistindo". "É preciso plano diretor para retirar as pessoas das áreas de alto risco e ter urbanização mais adequada", disse. 

Ao menos duas pessoas morreram após a queda de barreira em um condomínio residencial em Barra de Guaratiba, zona oeste. Uma mulher morreu na Rocinha, em São Conrado, zona sul, onde becos e vielas foram tomados pela enxurrada que arrastou carros na região.

Na avenida Niemeyer, no Leblon, uma pessoa morreu após um ônibus ser soterrado por uma queda de barreira na favela do Vidigal. Uma segunda vítima também teria morrido em circunstância ainda não esclarecida na favela. 

De acordo com Witzel, a ocupação irregular de encostas é resultado do "abandono por parte das prefeituras de fiscalizar áreas não edificantes". 

O governador ignora, contudo, que a cidade registrou enchentes em diversas áreas planas dos bairros de Botafogo, Copacabana, Gávea e Leblon, cujo principal canal transbordou, com a água invadindo ruas comerciais e shoppings. 

"É preciso que os prefeitos façam seu dever de casa", disse o governador, que concedeu entrevista à imprensa vestindo um colete laranja da Defesa Civil estadual. Desde o início da manhã equipes da prefeitura, Bombeiros e Defesa Civil trabalham na área da avenida Niemeyer onde um barranco desabou sobre um ônibus. 

"Em Guaratiba e no Vidigal o que assistimos é que há a ocupação desordenada que causa desmatamento e risco de desabamento", disse. 

Witzel aproveitou para alfinetar as gestões anteriores na prefeitura e no estado. Segundo ele, as gestões do MDB na cidade e no estado se preocuparam em "fazer grande eventos para favorecer principalmente a corrupção, deixando a população desassistida". 

"O abandono não é de 2016 para cá. É de décadas. Pouco se fez para evitar que construções irregulares avançassem", disse o governador, que não comentou, porém, a falta de drenagem das vias e o mau estado de conservação de árvores e postes que tombaram na via.

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