Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

'Não existe mais vida no rio Paraopeba', afirma secretário de Brumadinho

Órgãos de fiscalização ambiental dizem que nível de oxigenação para peixes é zero

Sistema de membranas para impedir metais no rio Paraopeba perto da central de captação de água da Águas de Pará de Minas, concessionária de abastecimento de água de Pará de Minas (MG) - Eduardo Anizelli/Folhapress
Rubens Valente
Pará de Minas (MG)

“Não existe mais vida aquática no rio Paraopeba”, disse neste domingo (3) o secretário de governo da prefeitura de Brumadinho (MG), Ricardo Parreiras. O rio foi atingido pelos sedimentos gerados pelo rompimento da barragem da Vale localizada no Córrego do Feijão, bairro rural de Brumadinho.

Segundo o secretário, órgãos de fiscalização ambiental informaram à prefeitura que a água nas proximidades de Brumadinho está totalmente contaminada e que o nível de oxigenação para peixes e outros animais é zero. Além da lama, o rio carrega metais pesados em níveis muito acima dos recomendados, segundo o secretário.

Na quinta-feira (31), o governo mineiro informou em nota que análises realizadas não indicam a utilização da água bruta do rio Paraopeba para qualquer finalidade até que a situação seja normalizada. O governo disse que determinou à Vale que forneça água potável para as comunidades afetadas. 

A fala do secretário ecoa as análises feitas na semana pela ONG SOS Mata Atlântica, que percorreu parte do rio Paraopeba e concluiu que, do ponto do desastre até pelo menos 40 km, o rio está morto. 

Na sexta-feira (1), a especialista em água da ONG, Malu Ribeiro, informou que a água tinha uma turbidez quase cem vezes o indicado pela legislação para água de rios e mananciais e o que o rio “mais parecia um tijolo líquido”. 


Os problemas só não são maiores na zona rural porque, segundo Parreiras, a maioria dos moradores usa poços artesianos. Além disso, o rio Paraopeba normalmente tem um aspecto amarelado e, segundo o secretário, quase não é frequentado por moradores para banhos ou pescarias.  

O abastecimento de Brumadinho realizado pela Copasa, empresa do governo estadual, também não foi afetado, segundo o secretário.

O desastre levou a concessionária Águas de Pará de Minas, do município homônimo localizado a cerca de 76 km da barragem que rompeu, a suspender, no meio da semana, a captação da água do rio Paraopeba para o abastecimento de cerca de 100 mil moradores da região. 

A empresa informou que exames realizados a cada 15 minutos ainda não indicaram qualquer alteração na qualidade da água, mas, como precaução, resolveu suspender a captação da água do rio.

O abastecimento em Pará de Minas não está sendo prejudicado, segundo a empresa, porque ela recorreu a dois mananciais e a 16 poços artesianos como alternativas. 

 

A corrida da Vale agora é para evitar que a sujeira chegue às casas de mineiros na região de Pará de Minas. A Folha esteve neste domingo (3) na central de captação de água da Águas, localizada a cerca de 100 km do local do rompimento da barragem, onde a Vale instalou duas das três “barreiras de turbidez”. O sistema de membranas deverá reter partículas sólidas que estão descendo no rio. 

A Vale não divulgou neste domingo se e quando a sujeira atingirá Pará de Minas. Segundo o governo mineiro, até o início da semana “a pluma de sedimentos já havia se deslocado 57 km do local do rompimento, na altura do município de Juatuba, com velocidade média que vem se reduzindo. No domingo, 27 de janeiro, era de 1,6 km/h, enquanto medição feita segunda-feira mostra que a movimentação alcançou 0,83 km/h”.

 

O impacto de rejeitos de minério de ferro na saúde

Materiais presentes no material da barragem rompida podem causar problemas de saúde. Governo de Minas Gerais afirma que pessoas não devem usar água do rio Paraopeba

Intoxicação com substâncias presentes na lama dependem de:

  1.  Tipo de contaminante
  2.  Via de exposição
  3.  Dose
  4.  Grupo que foi exposto

Dessa forma, não necessariamente a mera exposição vá causar problemas de saúde. Veja o que pode acontecer com cada substância:

FERRO


  • Sintomas 
    Problemas gastrointestinais, como diarreia, náuseas, vômitos e sangramento e redução da urina 
  • Pode levar a...
    Problemas cardiovasculares e do sistema nervoso

MANGANÊS


  • Sintomas 
    Dermatite; aumento da pressão sanguínea; redução da função imune e fraqueza
  • Pode levar a...
    Infertilidade; diminuição do crescimento; distúrbios do esqueleto; aterosclerose e disfunção pancreática

ALUMÍNIO


  • Sintomas 
    Irritação das vias aéreas e tosse
  • Pode levar a...
    Anemia; doenças ósseas e confusão mental

ARSÊNIO 


  • Sintomas 
    Náusea; dor abdominal; vômitos; diarreia; problemas dermatológicos; perda de memória; formigamento de extremidades e perda de sensibilidade
  • Pode levar a...
    Doenças cardiovasculares; câncer de pele; hepatite e morte em casos graves

CHUMBO


  • Sintomas 
    Cólica, linha azulada nas gengivas, aumento da pressão sanguínea e encefalopatia
  • Pode levar a...
    Anemia e doenças renais

Fonte: “Desastre no Vale do Rio Doce”; Fabio Braz Machado; Wanda Risso Gunther

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