Com críticas a Bolsonaro e apresentações musicais, ato em SP marca um ano da morte de Marielle

Milhares de pessoas participaram de homenagem em à vereadora assassinada em 2018

Júlia Zaremba
São Paulo

“A Marielle perguntou, eu também vou perguntar: quantas mais têm que morrer para essa guerra acabar?”

Com essa frase, entoada por uma multidão de mulheres, começou o ato em São Paulo para marcar um ano da morte da vereadora Marielle Franco, nesta quinta-feira (14). A mensagem foi publicada pela ativista em uma rede social um dia antes do crime.  

Milhares de pessoas, munidas de cartazes, blusas e adesivos com o rosto de Marielle, começaram a se reunir na praça Oswaldo Cruz, na Bela Vista (região central da capital), às 17h para prestar homenagens à vereadora e cobrar respostas de autoridades sobre o crime. O cortejo seguiu pela avenida Paulista por volta das 19h.

O ato teve críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”, cantava a multidão.

A programação incluiu ainda uma espécie de aula pública sobre o legado da vereadora, conduzida por Jupiara Castro, fundadora do Núcleo de Consciência Negra da USP, e Erica Malunguinho, primeira deputada estadual transgênero de São Paulo. 

E também apresentações musicais —o bloco feminino Ilú Obá de Min, o grupo Clarianas e o Sarau das Pretas foram algumas das atrações.

14 de março é o dia do aniversário da assistente de logística Angélica Mello, 26. Mas ganhou outro significado há um ano. 

“A Marielle me representa muito. Faz muita falta, acompanhava muito o trabalho dela. Mas a semente que deixou está geminando.”

A assistente social Sheila Marcolino, 38, foi para o ato para cobrar respostas sobre o assassinato. “Para mim, ainda não está solucionado. Prenderam duas pessoas, mas não quem mandou matá-la”, diz.

Moradora do distrito de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, ela diz que a morte dela foi um ataque à luta das mulheres negras. “Ela representava nós, mulheres negras e batalhadoras que enfrentamos dificuldades nas periferias”, afirma. “Tentaram silenciar a sua bandeira, mas temos que mantê-la viva.”

Para a terapeuta holística Josi Oliveira, 31, as a conclusão das investigações sobre o assassinato ainda está longe de ser revelada. “Os resultados apresentados ainda são muito fracos. O que está debaixo do tapete ainda não foi resolvido. Não vão achar o mandante, que deve ser bem grande, de forma fácil”, diz. 

Ela diz que Marielle representava a força feminina. “Fomos ensinadas a servir e nunca a lutar. Vibramos hoje a luta de uma mulher que adubou a terra para que várias sementes floresçam.”

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