Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Atos cobram respostas sobre mandante da morte de Marielle e Anderson

'Amanhecer por Marielle' marca um ano dos assassinatos ainda não resolvidos

São Paulo

​A frase que se notabilizou no último "quem matou Marielle?" se transformou nesta quinta-feira (14). A pergunta que se espalhou por cidades do Brasil e do exterior agora é "quem mandou matar Marielle?".

A frase está em placas e faixas que lembram o um ano da morte da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. As intervenções fazem parte dos atos "Amanhecer por Marielle".

Em São Paulo, faixas foram colocadas na avenida Rebouças, na altura do Hospital das Clínicas, e placas de rua foram cobertas com adesivos com os dizeres "Marielle Presente" e "Avenida Quem Mandou Matar Marielle?".

As trocas de placas ocorreram nas esquinas da avenida Paulista com a Consolação, da  rua Augusta com avenida Paulista e  na esquina das alamedas Barão de Limeira e Eduardo Prado, além da estação de metrô Ana Rosa.

Por volta das 17h, milhares de pessoas, munidas de cartazes, blusas e adesivos com o rosto de Marielle, começaram a se reunir na praça Oswaldo Cruz, na Bela Vista (região central da capital), para prestar homenagens à vereadora e cobrar respostas de autoridades sobre o crime. 

O ato teve críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”, cantava a multidão.

O rosto da vereadora assassinada se transformou em ícone da luta por justiça e se espalhou em grafites por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Lisboa, Buenos Aires, e Ferrara, na Itália.

Em Brasília, dez minutos depois de deputados do PSOL e outros partidos de esquerda começarem um ato em homenagem a Marielle Franco nesta quinta, colegas de direita entraram no mesmo Salão Verde da Câmara para protestar contra a violência animal.

Oito deputados federais, entre eles Daniel Silveira (PSL-RJ), que rasgou a placa com o nome de Marielle,  posicionaram-se a poucos metros com caixas de som que emitiam latidos.

Sorridentes, eles posaram para fotos segurando cartazes pedindo reclusão para perpetradores de maus-tratos e o desenho de um cachorro.

Nesta semana, a dois dias do crime completar um ano sem solução,  a Polícia Civil do Rio prendeu  na terça-feira (12) dois suspeitos de participarem do assassinato da vereadora.  São eles: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. Ambos negam participação no crime.

Segundo a denúncia, Lessa disparou os tiros que mataram Marielle, e Queiroz dirigiu o carro que interceptou a vereadora, de onde partiram os disparos.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios do Rio, Giniton Lages, disse em entrevista coletiva que as investigações do caso ainda estão no início.  Mas a segunda fase já foi deflagrada, com a expedição de ao menos 34 mandados de busca e apreensão que visam determinar se há mandantes para o crime e qual a motivação exata do assassinato.

Na mesma entrevista, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), declarou que Lessa e Queiroz poderão receber uma oferta para fazerem delação premiada. 

MANDANTE

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, disse à Folha que considera a operação um passo importante nas investigações, mas lamentou que ainda não haja respostas a respeito de eventuais mandantes. 

"Não basta prender mercenários, é importante saber quem mandou articular tudo isso e qual foi a motivação", afirmou, acrescentando que, apesar da lentidão das investigações, mantém a esperança de que essas respostas cheguem.

"O Brasil hoje deve satisfação ao mundo. Não há, para mim, a possibilidade de isso não ser respondido. Não é só pela preservação da memória da Marielle, mas pela garantia da nossa democracia."

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Marielle foi morta em razão de sua militância em favor dos direitos humanos. Os investigadores identificaram ainda que Lessa, o policial reformado responsável pelos disparos, fez pesquisas sobre a rotina de Marielle e sobre eventos de que ela participaria semanas antes do crime.

Ele também teria pesquisado sobre outras figuras da esquerda, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), próximo a Marielle. De acordo com o delegado Lages, a motivação de Lessa foi torpe. "Ele revela diferenças ideológicas de forma violenta", afirmou.

Ainda não está claro, no entanto, se o crime foi articulado espontaneamente pelo policial militar reformado ou se ele foi pago por um mandante para assassinar Marielle. 

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