Descrição de chapéu Alalaô

Renascido, Carnaval de rua de Porto Alegre se estende até o fim do mês

De volta à Cidade Baixa, blocos farão desfiles até o dia 24 na capital gaúcha

Estelita Hass Carazzai
Curitiba

Gaúcho tem samba no pé? Porto Alegre está mostrando que sim.

Numa retomada de seu Carnaval de rua, a capital gaúcha irá reunir ao longo do mês 25 blocos, que têm atraído milhares de foliões.

Mesmo depois do feriado prolongado, os blocos permanecerão nas ruas, com programação em todos os finais de semana, até o dia 24.

A principal novidade neste ano é a volta dos blocos à Cidade Baixa, bairro boêmio da região central da capital que concentra grande número de bares e já foi o epicentro da festa no passado.

Os festejos no local haviam sido proibidos pela Justiça, mas um acordo entre moradores, comerciantes e o Ministério Público permitiu a volta dos foliões.

Os blocos se alternaram nas ruas no sábado (2), domingo (3) e nesta terça (5). Em média, cada atração reuniu cerca de 20 mil pessoas. Nesta terça, foram à rua da República o bloco Rua do Perdão e Deixa Falar. 

No domingo, houve confusão entre um grupo que estava numa festa também na rua da República e a Brigada Militar. Moradores relataram confusão na região e a Brigada pediu apoio do Batalhão de Choque, que usou bomba de efeito moral. Não houve feridos.

Entre os grupos que se apresentaram neste feriado estão o Afrotchê e a Banda DK, com repertórios que variam entre o samba, as marchinhas de Carnaval e a música afro.

“É um Carnaval muito democrático, de ocupação do espaço público”, afirmou à Folha o artista Diego Machado, diretor artístico do Bloco da Laje, que surgiu oito anos atrás, em meio à retomada do Carnaval de rua de Porto Alegre.

Este é o primeiro ano em que a prefeitura organiza a folia, justamente devido ao crescimento da festa. Mas sem dinheiro público: o investimento e a estrutura ficam por conta da empresa de eventos que ganhou o edital.

Entre as providências tomadas para garantir a segurança, estão banheiros químicos, limpeza de ruas, bloqueio do trânsito, credenciamento de vendedores e a definição prévia do percurso de cada bloco.

É uma primeira experiência, em um evento que tende a crescer. O interesse do poder público na festa é celebrado por quem atua nos blocos —mas os artistas destacam que o Carnaval não pode perder o caráter de manifestação popular, nem virar uma data puramente comercial.

“Senão, perde o sentido da brincadeira, da criança na rua, do idoso que te abana de uma janela. O valor do Carnaval está nesse encontro, no convívio”, diz Machado, um dos fundadores do Bloco da Laje, com Júlia Rodrigues e Juliano Barros. 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.