Descrição de chapéu Alalaô

Mais discreto, Doria curte seu 17º Carnaval em Salvador

Governador de SP acha que as manifestações políticas durante os blocos são naturais e defende a Reforma da Previdência

João Pedro Pitombo
Salvador

 “Agora eu estou Gandhy, hein?”, disse o governador de São Paulo João Doria (PSDB) logo após receber um colar azul e branco de um associado do bloco Filhos de Gandhy, mais tradicional afoxé da Bahia.

Nesta terça-feira (5), último dia de Carnaval, Doria deixou São Paulo e veio para o Carnaval de Salvador. 

O governador de São Paulo, João Doria (à dir.), durante o Carnaval na Bahia
O governador de São Paulo, João Doria (à dir.), durante o Carnaval na Bahia - Franco Adailton/Folhapress

Buscando um estilo mais discreto e evitando agendas fora de São Paulo neste início de mandato como governador, Doria disse que veio à Bahia como pessoa física, mantendo uma tradição de 17 anos no Carnaval de Salvador.

“Não vim em missão oficial, vim como cidadão, como brasileiro e como meio baiano que sou. Tenho uma paixão enorme pela Bahia”, afirmou.

Cercado por um séquito de seguranças, Doria visitou o camarote da Rede Bahia, afiliada da Rede Globo comandada por ACM Júnior, pai do prefeito de Salvador ACM Neto (DEM).

Na sequência, seguiu andando por um trecho de cerca de 100 metros até o camarote Expresso 2222, onde foi recebido pela empresária Flora Gil. Não foi tietado nem hostilizado no curto trajeto. 

À imprensa, falou sobre as manifestações políticas que espalharam-se pelo país neste Carnaval, sobretudo com protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo Doria, as manifestações fazem parte da cultura do Carnaval: “É natural. Desde que não sejam deselegantes, deseducadas e agressivas, faz parte. É da democracia”. 

Ao falar da política nacional, defendeu a aprovação da Reforma da Previdência, mas com ajustes. E disse acreditar que o governo não deverá ter dificuldades em formar maioria para aprovar a proposta: “Estou otimista”. 

No plano estadual, defendeu a aprovação do polêmico projeto de lei enviado às vésperas do Carnaval à Assembleia Legislativa de São Paulo que beneficia categoria dos agentes fiscais de rendas. 

A proposta foi criticada pela bancada do PSL, que questiona o fato da categoria ter sido responsável por 25% das doações à campanha eleitoral de 2018 de Cauê Macris (PSDB), atual presidente da Alesp e pré-candidato a voltar ao comando da Casa.

“[Essa proposta] não tem nada a ver com a base do deputado Macris. É uma medida correta e justa. Os fiscais de renda representam um a parcela considerável da receita do governo de São Paulo e há muito tempo eles não têm nenhuma alteração salarial”, disse o governador. 

Antes de voltar para a festa, lamentou não ter chegado a tempo de ver os Filhos de Gandhy.

Acompanhado de Flora Gil, entrou na área vip e fez um pedido à anfitriã: “Queria aquele sorvete de coco queimado”.

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