STF autoriza defesa de João de Deus a ter acesso a dados de movimentação financeira

Documentos elaborados pelo Coaf ajudaram a embasar pedido de prisão

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta quinta-feira (21) que a defesa de João Teixeira de Farias, o médium João de Deus, 77, tenha acesso a documentos elaborados pelo Coaf que ajudaram a embasar seu pedido de prisão, feito pela Promotoria de Goiás.

De acordo com a decisão do ministro, é um direito da defesa ter amplo acesso aos elementos que, já documentados em investigação feita por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

O ministro avaliou que o pedido para ter acesso a documento citado no requerimento de prisão preventiva deveria prosperar porque a manutenção do sigilo “faz com que a defesa desconheça as razões, ou parte delas”, que levaram o Ministério Público de Goiás a pedir a prisão.
 
Com a decisão, o advogado Alberto Toron, defensor do médium, terá acesso aos três relatórios de informações financeiras elaborados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e enviados à Promotoria. Os documentos mostram a movimentação financeira de João de Deus.

Nesta quinta-feira (21), o médium já havia obtido no STJ (Superior Tribunal de Justiça) o direito de ser transferido para um hospital de Goiânia, devido à sua saúde.

O STJ acolheu recurso da defesa, que apresentou laudos médicos que apontam uma série de problemas de saúde, como a realização de uma cirurgia de grande porte que resultou na retirada de mais de 60% do estômago.

O médium deixou a prisão na noite desta sexta. Preso no núcleo de custódia de Aparecida de Goiânia, ele saiu do local em uma ambulância às 18h35 e será transferido para o Instituto de Neurologia de Goiânia. Deverá ficar no local ao menos quatro semanas.

Os laudos apontam ainda a constatação de que o médium perdeu 17 quilos em dois meses, está desidratado e hipertenso e apresenta um linfonodo no pescoço e dor e edema na perna.

Por isso, a internação num ambiente hospitalar adequado seria necessária num período de quatro a oito semanas.

A transferência será, inicialmente, por quatro semanas, e o médium será acompanhado por escolta policial no local de tratamento médico –ou monitoramento eletrônico, caso “esta escolta não se revele materialmente viável”, disse o ministro do STJ Nefi Cordeiro em sua decisão.

João de Deus se tornou réu no início do ano pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual, após a juíza Rosângela Rodrigues dos Santos aceitar a denúncia (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/12/ministerio-publico-denuncia-joao-de-deus-sob-a-acusacao-de-abuso-sexual.shtml) oferecida pelo Ministério Público de Goiás.

O médium está preso desde 16 de dezembro em Goiânia. Ele nega as acusações. É investigado por estupro, estupro de vulnerável, violação sexual e posse ilegal de arma. A denúncia da Promotoria foi oferecida à Justiça no dia 28 de dezembro.

Desde o surgimento dos casos, o Ministério Público montou uma força-tarefa junto à Polícia Civil para apurar as denúncias dos abusos cometidos pelo médium e recebeu ao menos 500 acusações de mulheres contra João de Deus.

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