Descrição de chapéu Obituário Conradine Taggesell (1933 - 2019)

Mortes: Conradine foi a primeira engenheira mulher de Santa Catarina

Filha de um pai alemão, dedicou-se aos estudos e aos treinos de ópera

São Paulo

Após terminar o colégio, Conradine decidiu que queria ser médica. Anunciou sua decisão à mãe, que logo a confrontou com o fato de que a garota não suportava ver sangue. 

Mas a mãe deu o caminho para a jovem, indicou que ela usasse seu genialidade nos cálculos para estudar engenharia. Após a graduação, Conradine seria a primeira mulher catarinense a se formar em engenharia.

A facilidade com os estudos veio de uma boa educação também em casa. Aos finais de semana, o pai alemão tocava música clássica ao piano enquanto os filhos discutiam o que aprendiam nos livros.

Conradine Taggesell recebe o prêmio de Engenheira do Ano do Instituto de Engenharia do Paraná
Conradine Taggesell recebe o prêmio de Engenheira do Ano do Instituto de Engenharia do Paraná - Instituto de Engenharia do Paraná

Os problemas em casa começaram quando o Brasil entrou na Segunda Guerra, se opondo à Alemanha nazista. O pai de Conradine, assim como a outros patrícios, foi preso sob a acusação genérica de ser um infiltrado no país.

Soldados brasileiros reviraram a casa de Conradine, quebraram utensílios domésticos e apreenderam até livros de receitas. Anos depois, o pai da menina foi solto por falta de provas.

O pai incentivou que os filhos estudassem, disse que apenas sossegaria se deixasse como herança, não uma fortuna, mas um diploma universitário.

Com o diploma em mãos, Conradine trabalhou 30 anos na extinta estatal Rede Ferroviária Federal. Viajou o mundo e foi parar até na Antártida.

A engenheira conciliava os constantes estudos com as aulas de canto, onde treinava óperas.

A família conta que Conradine sempre foi testada pela vida. Fosse durante o período da Guerra, no tratamento de dois cânceres ou na morte de seus dois únicos filhos. 

Ainda assim, mantinha a altivez de quem sabia ter que sempre aprender algo novo. Conradine morreu no dia 22, de uma parada cardíaca, aos 86 anos. Ela deixa as irmãs e sobrinhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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