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Orquestra apresenta neste sábado concerto que vai de blues a baião

Projeto do Instituto Olga Kos inclui 90 musicistas amadores com deficiência

Ricardo Kotscho
São Paulo

Vinícius Nunes da Silva, 21, era um jovem tímido quando apareceu com a gaita que ganhara do avô e a camisa do Palmeiras na primeira oficina do projeto Cor e Ritmo, do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, há um ano. 

Hoje, Vinícius, que tem síndrome de Down, é o mais animado nos ensaios do grupo, quando sola na gaita em “Sopro Viajante”, um baião arretado, e improvisa com o professor e maestro Eduardo Costa, 32, um desafio como fazem os cantadores nordestinos. 

A orquestra que Vinicius integra, com 90 músicos cujas idades vão de 15 a 70 anos, se apresenta pela primeira vez às 11h deste sábado (29), em um concerto para 300 pessoas na Galeria Olido, na avenida São João, centro de São Paulo. 

Todos ali são pessoas com deficiência física ou intelectual. Para preparar a orquestra, a arte-educadora Deborah Hathner, 29, promoveu ensaios e oficinas de teoria musical com instrumentos de percussão ao longo de um ano.

Fã de Elis Regina, Márcia de Castro Sá, 31, cantará uma versão de um dos maiores sucessos na voz da cantora gaúcha, “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. Na interpretação da cantora, que teve paralisia cerebral, a música se torna “Canto Equilibrista”.

Serão, ao longo de 60 minutos de música, 15 canções, iniciados e encerrados ao som de batucada.

A orquestra foi idealizada por Wolf e Olga Kos, ele empresário e ela pediatra, que se inspiraram na personagem Clara da novela “Páginas da Vida”, exibida em 2007 pela Globo justamente quando Wolf passou por um longo período de internação hospitalar por causa de uma cirurgia cardíaca e suas sequelas. 

A personagem com Down o motivou a investir em projetos de inclusão para pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social por meio de oficinas de cultura e esportivas. 

Desde então, 15 mil pessoas participaram de um dos projetos de Kos em São Paulo, desenvolvidos com entidades parceiras como o Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) de Santo Amaro, Cecco de Interlagos, Beneficente Nosso Lar e Associação Comunitária Monte Azul, que participam do projeto atual.

O concerto deste sábado foi desenhado de acordo com os talentos e preferência dos 90 participantes da oficina, e inclui de blues a baião, da gaita a pandeiro. 

A maioria vai subir num palco pela primeira vez, mas Márcia Sá é veterana. Há duas décadas participou dos primeiros programas Teleton, do SBT, cantando com o coral da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), onde estudou música. Da primeira vez, acompanhou Fafá de Belém; na segunda, fez dueto com Moacyr Franco. 

Vinícius, que retoma a timidez quando não está tocando, ri ao ser indagado se gosta mais da gaita ou do Palmeiras. “Do Palmeiras”, diz, em sua primeira entrevista na vida, ao lado da mãe, Vera. E joga verde para ganhar uma camisa do atacante Dudu, seu ídolo, e assistir a um jogo em campo. 

Deborah, a arte-educadora, encerra o último ensaio pedindo que todos venham com a camiseta da orquestra e uma meia de cada cor e toquem descalços, para expô-las. “É um gesto para valorizar a diversidade.”

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