Frio no Sul congela árvores e aumenta busca por doação de agasalho

Time de futebol abre estádio a moradores de rua; previsão é de neve na serra catarinense

Paula Sperb Katna Baran
Porto Alegre e Curitiba

O clima frio típico do inverno do Sul do país, com previsão de neve na serra catarinense no final de semana, revela duas faces do clima rigoroso.

É tanto período de movimentação turística, com visita a “árvores de cristal” congeladas, como época de sofrimento para a população vulnerável, com busca de agasalhos doados. 

Por isso, cidades onde os termômetros chegam a 0ºC ou até temperaturas negativas, se mobilizam nas duas frentes, a turística e a social.

Em São Joaquim, uma das cidades mais gélidas do Brasil, na região serrana de Santa Catarina, a sexta-feira (5) marcou -5ºC no termômetro, e as árvores amanheceram cobertas de gelo. 

“Mesmo com sol, as árvores continuam congeladas, como árvores de cristal”, relata a secretária municipal do Turismo, Indústria e Comércio, Adriana Cechinel Schlichting de Martin.

De acordo com ela, a previsão de neve para o final de semana fez com quem 1.700 dos cerca de 2.000 leitos da cidade estejam ocupados. “Precisamos buscar as opções de hospedagem, por isso, moradores disponibilizam quartos e casas para aluguel”, relata a secretária. 

Com população carente no meio rural, a assistência social de São Joaquim levou para o interior doações de agasalhos.

O mesmo ocorre em São Borja, cidade gaúcha na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, onde a Secretaria de Desenvolvimento Social organizou o projeto “Cabide Solidário”.

As roupas doadas são dispostas para que as pessoas em vulnerabilidade possam escolher o que necessitam, como se fosse uma compra.

“Parece uma feira de produtos, que ficam à disposição. São agasalhos, cobertas, calçados. O pessoal se organiza e eles escolhem de acordo com a necessidade da família, tamanho das crianças, idosos e levam para suas residências”, explica o secretário Pedro Quoos. 

Em São Borja, o termômetro marcou 0ºC na sexta-feira. Por isso, Quoos relata que, além de roupas, são doados alimentos e há auxílio para melhorar a estrutura de residências precárias, com frestas e chão batido. As melhorias são possíveis a partir da doação de restos de material de construção, móveis e eletrodomésticos. 

“Nossa população é de 63 mil habitantes e temos cerca de 10 mil desempregados. É muito sofrido, por isso sempre pedimos doações, porque a prefeitura sozinha não tem condições. Falta visão aos governos estaduais e federal da base da pirâmide, tem que gerar oportunidade de trabalho e não pode ser passageira”, diz Quoos.

Em Porto Alegre, o clube de futebol Internacional, inspirado no River Plate, de Buenos Aires, abriu as portas do ginásio Gigantinho para abrigar a população em situação de rua no final de semana que pode ser um dos mais frios do ano. Com auxílio de voluntários e empresas, a prefeitura recebe doações e servirá refeições. 

No Paraná, as temperaturas mais baixas registradas nesta sexta-feira (5) foram na região sul e centro sul, como em Clevelândia (1,5°C), Palmas (2,1°C) e General Carneiro, com 2,3°C.

Em Curitiba, os termômetros marcaram 7,7 °C. Conforme o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), as temperaturas não devem subir muito durante todo o dia, mesmo no norte do estado, região comumente mais quente, mas onde a nebulosidade é alta nesta sexta.

“Hoje vai ser um dia em que as temperaturas máximas não devem aumentar muito, ficando em torno de 10 a 13°C”, explica o meteorologista Cezar Duquia.

O frio mais intenso deve chegar na madrugada deste sábado (6), quando Curitiba deve registrar mínima de 1°C. Na região metropolitana e no sul do estado pode haver temperaturas negativas, segundo o Simepar. Também estão previstas geadas por todo o Paraná.

 

A prefeitura da capital paranaense orienta as pessoas a ligarem para a Central 156 caso observem moradores de rua sem proteção.

Desde esta sexta até a manhã de domingo (7), a FAS (Fundação de Ação Social) também intensificará a abordagem social para oferecer abrigo nas unidades do município.

Das 18h às 23h, 14 equipes —com 27 educadores sociais e 14 funcionários de apoio— vão percorrer a cidade para oferecer atendimento às pessoas que queiram ser abrigadas durante a madrugada, quando o frio é ainda mais intenso. Há 1.200 vagas nas casas de acolhimento.

Ainda houve ampliação do horário (até 23h) para recebimento de pessoas que buscam abrigo espontaneamente. Quem pernoita nas unidades tem acesso a banho e recebe agasalhos e alimentação, na chegada e na saída, no início da manhã. Os animais de estimação também são acolhidos em duas unidades, junto com seus donos.

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