Descrição de chapéu Obituário Osvaldo de Jesus Nadaleto (1929 - 2019)

Mortes: Sindicalista ítalo-brasileiro em Jaú, lutou por direitos

Falador, manteve a família unida até seus últimos dias

Otávio Nadaleto
São Paulo

Seu Osvaldo era um irremediável contador de histórias. Em Jaú (SP), onde passou toda a vida, ficava horas sentado no portão de casa. Se lhe davam uma brecha, desandava a falar: de quando trocou um telefone por um terreno, como conheceu pessoalmente políticos da República… E sobre o Palmeiras, que acompanhava pelo radinho de pilha.

Osvaldo Jesus Nadaleto, o sindicalista de família ítalo-brasileira gostava de fazer tudo com as próprias mãos
Osvaldo Jesus Nadaleto, o sindicalista de família ítalo-brasileira gostava de fazer tudo com as próprias mãos - Arquivo Pessoal

De origem ítalo-brasileira, raramente abria mão dos almoços conjuntos de domingo com a família. Sentado à ponta da mesa, uma taça de vinho à mão, parecia querer imitar a tapeçaria da Santa Ceia pendurada na parede.

Como metalúrgico, Seu Osvaldo ajudou a montar fábricas pelo país. Também fundou, em 1972, a Associação dos Trabalhadores Metalúrgicos de Jaú, futuramente elevada à categoria de sindicato, o qual presidiu durante 20 anos. Foi diretor da Federação dos Metalúrgicos do Estado de SP. Sua luta por direitos trabalhistas chamou atenção da ditadura, que frequentemente mandava uma viatura para frente de sua casa.

Gostava de fazer as coisas com as próprias mãos. Não foram poucas as ocasiões em que chegaram a sua casa e o encontraram, sozinho, fazendo reparos no telhado — mesmo já pra lá dos 80 anos. 

Ainda menino, foi durante uma partida de futebol que conheceu Amélia Gasparotto. A bola com que brincava voou para longe e ela a devolveu. “Eu vou me casar com você quando crescer, mocinha”, prometeu. E honrou o que disse. Em janeiro de 2014, completaram bodas de diamante.

Foi no mesmo ano em que, meses depois, ele a perdeu. Osvaldo nunca aceitou bem a ideia de ficar longe da companheira. Em 2017, foi surpreendido em uma esquina por um AVC. Faleceu dois anos depois, no último dia 18, após complicações de uma pneumonia.

Seu Osvaldo sempre dizia na hora de se despedir: “vai com Deus, meu bem, e que o Espírito Santo te ilumine.” O mesmo lhe desejam aqueles que ficaram: três filhos, cinco netos e um conjunto incalculável de ferramentas e peças.


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