Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Problemas acontecem', diz Bolsonaro sobre presos mortos em transferência no Pará

Apesar da Constituição proibir, presidente defende trabalho forçado para presidiários no Brasil

Gustavo Uribe
Anápolis (GO)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (31) que as mortes de quatro presos durante deslocamento a Marabá, no Pará, são problemas que "acontecem".

Em evento de assinatura de concessão de trecho da Ferrovia Norte-Sul, no interior goiano, ele afirmou que, com certeza, os presos "deveriam estar feridos" e comparou ao transporte de enfermos em ambulâncias.

Os detentos mortos faziam parte de um grupo de 30 a caminho da cidade de Marabá, a 600 km de distância. Segundo nota do governo do Pará, de Helder Barbalho (MDB), as mortes ocorreram dentro de um caminhão de transporte de presos entre as 19h de terça-feira (31) e a 1h desta quarta.

O presidente Jair Bolsonaro em de cerimônia de assinatura do contrato de concessão da Ferrovia Norte-Sul, em Anápolis (GO) - Pedro Ladeira/Folhapress

Eles viajavam algemados e estavam divididos em quatro celas. As mortes só foram descobertas na chegada a Marabá. Sempre de acordo com a versão do governo estadual, os quatro mortos integravam a mesma facção criminal.

"Com toda a certeza, deveriam estar feridos, né? É como uma ambulância quando pega uma pessoa até doente, no deslocamento, ela pode falecer", disse Bolsonaro. "Pessoal, problemas acontecem, está certo?", ressaltou.

A informação do governo do Pará até agora é que os presos "foram mortos" —em situação ainda não divulgada—, não que eles tenham morrido em consequência de ferimentos anteriores à transferência. A indicação é que o grupo tenha sido assassinados durante o percurso da viagem.

O presidente disse que conversará sobre o cenário de violência no Pará com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e, apesar de reconhecer que é cláusula pétrea, defendeu o trabalho forçado de presidiários no Brasil.

"Eu sonho com um presidio agrícola. É cláusula pétrea, mas eu gostaria que tivesse trabalho forçado no Brasil para esse tipo de gente. Não pode forçar a barra. Ninguém quer maltratar presos nem quer que sejam mortos, mas é o habitat deles, né", ressaltou.

O presidente afirmou que fica com "muita pena" dos familiares dos presos e das vítimas e que espera que a situação no Pará "seja resolvida". Ele lembrou que o fundo penitenciário federal já socorre as entidades da federação.

"Se pudéssemos ter uma autoridade em cima do presidiário, como o americano tem, seria muito bom para nós", disse.

Com as quatro mortes, subiu para 62 o número de vítimas em decorrência da rebelião da última segunda-feira (30). O governo transferiu 46 presos de Altamira. Desses, 10 irão a presídios federais fora do Pará. 
O motivo do massacre, segundo as investigações, foi um confronto entre duas facções que disputam o controle do presídio de Altamira.  

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