Bandidos quase levaram duas toneladas de ouro de Cumbica, diz polícia de SP

De acordo com delegado, bando teria tentado duas invasões antes de roubo em aeroporto

Rogério Pagnan
São Paulo

O prejuízo causado pelos criminosos que levaram cerca de 770 quilos de ouro do terminal de cargas do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), poderia ter sido muito maior se tivesse dado certo a primeira tentativa de ataque do grupo, realizada no início deste ano.

Segundo a polícia, o bando poderia ter levado duas toneladas de ouro que foram exportadas naqueles dias, ou cerca de R$ 360 milhões, no mercado nacional, e até R$ 600 milhões, se vendido na China –na investigação, hipótese principal de destino final do material roubado.

De acordo com o delegado Pedro Ivo Corrêa, titular da delegacia de roubo a bancos, antes de o bando conseguir concretizar o plano em 25 de julho, ele realizou duas tentativas de invadir o terminal e levar o ouro por ali exportado, uma no começo do ano e outra também no mês de julho.

O policial explica que, desde o início, o alvo principal do grupo era o ouro por ali exportado. A operação é frequente no aeroporto internacional de São Paulo. “Não era uma operação incomum. Isso surpreendeu a todos nós. O Brasil, de fato, exporta ouro há 500 anos e continua exportando”, disse Corrêa, aludindo ao período em que o Brasil foi colônia de Portugal (1500-1822).

 

Se os assaltantes tivessem acertado na primeira tentativa, os policiais afirmam que o roubo poderia ter coincidido com uma operação realizada pelo Banco Central para transferir cerca de duas toneladas de ouro. É quase o triplo do montante levado em julho. 

Essa investida só não deu certo porque, segundo a polícia, o funcionário do aeroporto Peterson Patrício não permitiu o acesso do resto do bando. Supervisor do terminal de cargas, ele é suspeito de participar do esquema criminoso.

Nas duas primeiras tentativas, porém, o funcionário teria citado empecilhos para o grupo não entrar. Foi por isso que os bandidos sequestraram a família dele, na véspera do roubo, afirma a polícia.

“Ele [Patrício] participou do planejamento, e, no final, começou a criar obstáculos. Foi aí que o pessoal da organização findou em sequestrar a família dele para estimulá-lo, vamos dizer assim, a participar mais efusivamente”, afirmou o policial. “A família não sabia disso.”

Além de Patrício, a polícia prendeu outras três pessoas e identificou mais dois suspeitos, Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, conhecido como "Velho", e Marcelo Ferraz, continuam foragidos. O primeiro seria o mentor de todo o roubo, e, Ferraz, o chefe da parte operacional do plano.

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Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, 55, apontado pela polícia de São Paulo como o principal mentor do roubo de 770 kg de ouro do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos - Divulgação

A polícia ainda tenta recuperar o ouro roubado. Os policiais suspeitam que a carga esteja sendo enviada  a conta-gotas para China, após prender um comerciante chinês que estaria enviando cerca de um quilo para o país em pequenas chapas do metal.

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