Operação da PF prende 'gerentes' do PCC que movimentavam R$ 1 milhão por mês

Núcleo financeiro respondia por compras de armas, drogas e financiava ações criminosas da facção

Katna Baran
Curitiba e São Paulo

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (6), uma megaoperação para desarticular o núcleo financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo as investigações, esse grupo da facção criminosa era responsável por recolher, gerenciar e financiar recursos para cometer crimes nos estados de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais.

Os crimes praticados pelos alvos da operação, segundo a PF, são tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, organização criminosa, entre outros.

Até as 18h, foram cumpridos 26 dos 30 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Oito deles tinham como alvos líderes da facção que já são detentos, sendo três em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul e quatro no Paraná. Ocorreram ainda mais duas prisões em flagrante.

Segundo a PF, 13 presos, identificados como líderes do esquema, serão transferidos a presídios federais. Haverá ainda, de acordo com os investigadores, controle de comunicação desses detentos, que ficarão ao menos temporariamente sem receber visitas.

Também foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em sete estados. Nas buscas, foram apreendidos bilhetes, conhecidos como bate-bolas, utilizados na comunicação de presos com os integrantes do grupo fora dos presídios. Foram recolhidos ainda celulares, papeis de contabilidade, pequena quantidade de drogas, pen drives e um HD.

INVESTIGAÇÃO

A investigação começou em fevereiro no Paraná com a identificação de três presos da penitenciária estadual de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, que fariam parte de um núcleo financeiro do PCC. Eles seriam responsáveis por recolher e gerenciar as contribuições para a facção em âmbito nacional.

Segundo a PF, os pagamentos, chamados de rifas, eram recolhidos na base da pirâmide do PCC, mas serviam principalmente aos seus líderes. A polícia identificou cerca de 400 contas bancárias que serviam para o repasse da verba, por onde circularam ao menos R$ 1 milhão. Para dificultar o rastreamento, as contas eram utilizadas de maneira intercalada.
 

Bilhetes apreendidos que seriam levados para dentro de prisões eram usados como canal de comunicação entre suspeitos
Bilhetes apreendidos que seriam levados para dentro de prisões - Divulgação/PF

“As pessoas que devem (para a facção) são excluídas ou espancadas. Eles se valem desses meios bárbaros para arrecadar dinheiro para que os líderes tenham bastante dinheiro e a base sustente e vários crimes sejam praticados”, detalhou o delegado da PF, Martin Purper.

O dinheiro era usado, segundo a PF, para financiar a compra de armas de fogo e de drogas para a facção e também para pagar o transporte e estadia de integrantes do PCC e seus familiares nos arredores de presídios.

“Paga-se auxílio funeral, ajuda de custo a algum companheiro que estivesse em dificuldade, aquisição de aparelho telefônico, cobrança de taxa por utilização por telefone e venda de drogas dentro e fora de unidades prisionais”, detalhou o delegado.

O nome da operação (Cravada) faz referência a uma jogada de xadrez em que uma peça, quando ameaçada de captura pela peça adversária, fica impossibilitada de se mover, em razão de haver uma peça de maior valor em risco.

“É uma forma de sufocamento do financiamento dessas atividades”, justificou o Superintendente Regional da PF do Paraná, Luciano Flores.

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