Keanu Reeves causa apagão no centro de SP, e escuridão assusta moradores

Gravação de série faz postes de rua ficarem apagados e enche o céu de fogos de artifício

Thiago Amâncio
São Paulo

Entre calçadões com prédios centenários, ruas completamente escuras e gente pedindo ajuda para se proteger de assaltos. No céu, helicópteros e explosões barulhentas.

A cena distópica aconteceu na noite deste domingo (18) no centro de São Paulo. Ruas históricas da cidade, no entorno do Vale do Anhangabaú, tiveram sua iluminação apagada para filmagens da série de TV “Conquest”, produzida pelo americano Keanu Reeves e filmada na capital paulista.

O jornalista Gabriel Gonzaga, 30, que vive na rua Xavier de Toledo, diz que saía da estação de metrô Anhangabaú por volta das 19h30 quando se deparou com o breu. “Guardei relógio, celulares, documentos, pois, se a insegurança é comum com luzes, imagina naquela escuridão”, conta ele, que vive a duas quadras do metrô.

Gabriel diz que escutou gritos de socorro da janela de seu apartamento (ele vive no oitavo andar) e viu um turista pedindo ajuda.

Uma moradora relatou que precisou pedir ajuda aos seguranças da produção para chegar em casa.

A estudante Elisabeth Pereira, 33, ligou para a prefeitura para entender o que acontecia. “Disseram que era por causa de uma gravação e que a iluminação retornaria às 6h da manhã. Só que ninguém no bairro foi avisado”, afirmou. 

“Aqui a gente já não tem sossego de quarta a domingo, por causa das festas à noite. E no domingo à noite acontece isso. Deixou muita gente estressada.” Ela e outros moradores recorreram à Polícia Militar.

Se o chão estava escuro, pelo menos o céu se iluminou. Por volta das 23h, a produção usou fogos de artifício, dando um toque de “Guerra dos Mundos” à paisagem.

O susto chegou aos grupos de WhatsApp, que começaram a circular vídeos dos fogos no céu, fotos das ruas escuras e áudios de pessoas atemorizadas. A falta de informação também causou boataria: houve quem achasse que a escuridão tinha sido provocada por bandidos para invadir apartamentos.

A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão Bruno Covas (PSDB), afirmou que instalou faixas notificando o bloqueio das ruas ("procedimento padrão previsto em legislação"). As filmagens ocorreram no Viaduto do Chá, Praça do Patriarca, r. Direita, r. São Bento, Praça Ramos de Azevedo, r. Líbero Badaró, r. Xavier de Toledo, r. 24 de Maio, r. Barão de Itapetininga e r. Conselheiro Crispiniano.

A administração municipal diz que a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar acompanharam a região afetada durante toda a noite e que havia policiamento na saída do metrô. A gestão disse que 800 profissionais circulavam pela região no horário das filmagens.

A Secretaria da Segurança Pública de SP informou que não foram registradas ocorrências de roubo na região neste domingo. 

Segundo informações da prefeitura, a série se passa num futuro distópico, com São Paulo como um local de acolhimento humanitário de refugiados. A obra é dirigida pelo cineasta inglês Carl Erick Rinsch e produzida por Keanu Reeves e Gabriela Rosés Bentanco. 

A vinda da produção ao país ocorre por meio da São Paulo Film Commission, braço da SPCine que trabalha para facilitar filmagens na cidade. As negociações começaram em maio do ano passado. Em abril, Keanu Reeves veio à cidade e se reuniu com o governador, João Doria, e o prefeito, Bruno Covas.

Nove secretarias municipais foram envolvidas, além da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as subprefeituras, a Guarda Civil Metropolitana e os departamentos de iluminação e limpeza urbana. A produção no Brasil é feita pela O2 Filmes.

Além do centro da cidade, houve filmagens da série também na avenida Paulista —vídeos que circulam na internet desde sábado mostram pessoas fantasiadas sobre a ciclovia da avenida, em frente à Fiesp.​

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