Descrição de chapéu
Úrsula Passos

O CCSP nunca adormeceu e sempre teve alma jovem

Ao contrário do que diz a atual diretora do espaço, centro cultural sempre respirou

São Paulo

O Centro Cultural São Paulo, conhecido entre alguns como Centro Cultural da Vergueiro, nunca dormiu. Criado há 37 anos para congregar diferentes públicos oferecendo diversa programação em seus muitos espaços, sempre serviu à sua vocação.

Indiferente a prefeitos e gestores, que podem cobrar pelo que antes era gratuito, que não conseguem manter os banheiros limpos, que podem não pagar a conta de luz, aqueles que procuram programação de qualidade e a preços acessíveis, ou simplesmente um lugar aberto e agradável para estudar solitariamente ou reunir amigos, sempre ocupam suas linhas modernas.

Os vestibulandos de toda a cidade sempre encontraram ali um espaço calmo, silencioso e acolhedor para estudarem na biblioteca, ventilada, iluminada e aberta aos domingos. Os grupos de amigos sempre puderam se reunir no gramado superior para se divertir com cartas, jogos, conversas e piqueniques.

Que alguns ainda não tenham descoberto este espaço que pulsa entre a avenida 23 de Maio e a Vergueiro há quase quatro décadas, é uma tristeza. Mas é uma alegria saber que ele está sempre ali para recebê-los. 

O centro cultural tem sido personagem e cenário dos meus fins de semana desde antes do que posso me lembrar, carregada em carrinho ou nos braços de meus pais, que me levavam para ver shows na plateia elevada da sala Adoniran Barbosa. 

Mais velha, com minhas próprias pernas, depois da escola, na zona leste, eu tomava o metrô em direção às escadas rolantes cheias de vento da estação Vergueiro para cursar aulas de história da arte, assistir a retrospectivas de Federico Fellini ou de Woody Allen, fazer piquenique com amigos, ver espetáculos esquisitíssimos de dança e teatro.

Nesses 32 anos, não houve uma única vez em que tenha estado ali e seus espaços, em grande parte de acesso livre, sem controle nem exigência de ingressos, estivessem às moscas, subutilizados, esquecidos, letárgicos.

Perguntei à minha mãe, adolescente da periferia paulistana nos anos 1980, por que ela gosta do CCSP.

Ela me disse que lá se sentia incrível, inteligente e antenada. “Eu ia estudar na biblioteca, ia a shows alternativos, teatro, sempre com minhas roupas diferentes, algumas de brechó, e alpargatas”, me disse.

Ao contrário do que diz a atual diretora do espaço, a jornalista Erika Palomino, em texto publicado nesta Folha em junho, o CCSP sempre respirou, e bem, e nunca esteve em crise de identidade. Isso porque não tem identidade, ele tem diversidade, e é ocupado por quem quiser ali entrar.

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