Mais exames ajudam a derrubar casos de sífilis em grávidas de São Paulo

Capital paulista reduziu em 20% número de gestantes com a doença

Patrícia Pasquini
São Paulo

O número de gestantes com sífilis na cidade de São Paulo caiu 20% de janeiro a outubro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros dez meses deste ano, foram registrados 3.388 casos, contra 4.200 em 2018. 

A informação é da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), órgão ligado à Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Entre recém-nascidos com a doença, a queda foi de 10%. Segundo a Covisa, foram confirmados 896 casos de sífilis congênita neste ano contra 986 de janeiro a outubro de 2018.

O SUS oferece teste rápido para detecção de sífilis, que é uma Infecção Sexualmente Transmissível
O SUS oferece teste rápido para detecção de sífilis, que é uma Infecção Sexualmente Transmissível - 05.fev.2019 - Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress
 

A rede pública de São Paulo incorporou ao protocolo do pré-natal exames adicionais para rastreamento da sífilis na gestante.

As grávidas devem fazer no mínimo dois testes rápidos —um por ocasião do teste de gravidez positivo e o segundo no terceiro trimestre de gestação— e mais três sorologias completas para sífilis, uma em cada trimestre da gravidez. 

Em todo o estado de SP, a redução do número de casos de sífilis congênita foi de 3%, se comparado 2018 com 2017. No ano passado, foram diagnosticadas 12.637 gestantes com sífilis. 

Foi a primeira queda em dez anos, segundo aponta o levantamento realizado pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP, da Secretaria de Estado da Saúde.

Os dados indicam queda de 4.125 casos em 2017 para 4.012 em 2018. Desde 2009, quando foram registrados 901 casos, São Paulo apresentava aumento em sífilis congênita.

“Embora a queda seja discreta, a reversão da tendência de aumento dos casos é um passo muito importante”, explica a coordenadora das Ações para Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis, Carmen Sílvia Bruniera Domingues. 

“Se uma gestante com sífilis não for tratada, pode transmitir a doença para o seu bebê, que pode nascer prematuro, ou apresentar manifestações ósseas ou neurossífilis. Alguns casos podem evoluir para aborto, natimorto ou até mesmo óbito perinatal. Em 2017, no estado, foram registrados 352 abortos ou natimortos causados pela sífilis”, complementa.

O ginecologista e obstetra Wagner Barbosa Dias explica que a transmissão ao feto se dá via placenta no primeiro trimestre da gestação —o que é raro porque a barreira placentária é forte— ou a partir do 4º mês caso a mãe não tenha se submetido ao tratamento adequado.

O aumento na detecção das gestantes com sífilis, associado ao tratamento oportuno e adequado, tem contribuído para evitar casos congênitos da doença.

O Programa Estadual DST/Aids-SP disponibiliza tratamento e testes rápidos de sífilis e anti-HIV durante o ano inteiro. O serviço é gratuito. As informações podem ser obtidas pelo site www.crt.saude.sp.gov.br ou Disque DST/Aids 0800 162 550.

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