Organizações sociais dependem de doação para manter acolhida

Falta de apoio contínuo é um problema recorrente, diz dirigente de projeto

São Paulo

Por muito pouco a Casa 1, abrigo na Bela Vista (centro de SP), não fechou as portas neste ano. Desde 2016, o local que funciona como república é refúgio para LGBTs expulsos de casa por sua orientação sexual e identidade de gênero.

Sem apoio do poder público e com as doações minguando, Iran Giusti, fundador do projeto, fez o exercício de futurologia mais difícil de sua vida. “A Casa 1 fecha em dezembro de 2019”, escreveu numa rede social em março.

“Queria muito que tudo aquilo tivesse sido apenas uma jogada de marketing. Mas não foi”, diz. Faltava dinheiro para comprar comida para os abrigados e para pagar o salário dos funcionários.

O possível fim chamou a atenção e criou uma nova rede de doadores, hoje responsáveis por desembolsos mensais que somam R$ 80 mil. As parcerias com empresas também ficaram mais sólidas.

“É com esse dinheiro que mantemos os salários de 24 profissionais [psicólogos, assistentes sociais, administradores e educadores, entre outros]”, afirma.

A Casa 1 disponibiliza 20 vagas por temporadas de quatro meses. Cerca de 85% dos LGBT beneficiados saem do abrigo com emprego. “Mas dessas 250 pessoas que passaram por aqui, só duas voltaram a viver com a família.”

O local, que também conta com um centro cultural e uma clínica psicológica, iniciou neste ano uma mentoria para ajudar 12 novos abrigos LGBT em diferentes partes do Brasil a captar recursos.

Para Rodrigo Franco,  fundador da Casa Chama, em Perdizes, na zona oeste, a falta de apoio contínuo é um problema recorrente. “As empresas só aparecem em junho e somem no resto do ano.”

O mês da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior do mundo, é quando as companhias buscam apoiar projetos.

É justamente pela falta de recursos que a Chama não abriga pessoas trans. O projeto criou um festival de música, vitrine para artistas trans, e vem se especializando em consultorias nas áreas jurídica e de saúde, com 320 atendimentos realizados no primeiro ano de atividade.

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