Pobreza e falta de atenção básica afetam mortalidade infantil no Maranhão e Piauí

Estados têm as menores expectativas de vida do país, de 71,1 anos e 71,4 anos, respectivamente

Teresina

A falha do serviço público de atender a mulher antes da 12ª semana de gestação é um dos gargalos enfrentados pelos governos do Piauí e Maranhão no combate a mortalidade infantil. 

A ausência de atenção básica na saúde, especialmente no acompanhamento pré-natal, e a extrema pobreza das famílias têm dificultado na melhoria da expectativa de vida da população nos dois estados nordestinos.

Os dois estados têm as menores expectativas de vida do país, de 71,1 anos no Maranhão e 71,4 anos no Piauí.

Crianças em escola rural em Buriti, no Maranhão, que tem altas taxas de mortalidade infantil
Crianças em escola rural em Buriti, no Maranhão, que tem altas taxas de mortalidade infantil - Avener Prado - 10.ago.18/Folhapress

No Maranhão, de cada 1.000 nascidos vivos, 19 bebês morrem antes de completar o primeiro ano de vida. É o segundo estado com maior índice de mortalidade infantil no país, segundo o IBGE. A taxa é superior à média nacional, que é de 12,4 para cada 1.000 nascidos vivos.

O analista do IBGE do Maranhão João Ricardo Costa Silva destaca que 53% da população maranhense é pobre, o que equivale a mais de 3,5 milhões de habitantes, dos 7 milhões de pessoas que moram no estado. Segundo o analista, faltam serviços como água potável, saúde e saneamento básico.

"Somente 8,3% dos municípios no Maranhão têm plano de saneamento básico, segundo o perfil dos municípios brasileiros. A expectativa de vida do maranhense tem melhorado lentamente, mas sem esgotamento sanitário as pessoas adoecem mais e isso tem impacto na qualidade de vida das pessoas", disse João Ricardo. O Maranhão tem a menor renda domiciliar per capita do Brasil, de R$ 607 em 2018, de acordo com o IBGE.  

O Piauí tem a quarta menor renda per capita do Brasil, de R$ 806. O supervisor de Disseminação de Informações do IBGE do Piauí, Eyder Mendes, atribui a baixa expectativa de vida do piauiense à falta de saneamento básico, à atenção básica à saúde precária e aos indicadores preocupantes de acesso ao esgoto e à coleta de lixo.

Ele também aponta melhorias que têm contribuído para diminuir a mortalidade infantil, como as campanhas de vacinação, a atenção ao pré-natal, a promoção do aleitamento materno, os serviços de agentes comunitários de saúde e os programas de nutrição infantil.

A diretora de Vigilância e Atenção à Saúde do estado do Piauí, Cristiane Moura Fé, afirma que o governo adotou um plano de ação para reduzir a mortalidade infantil até 2023 em 13%.

"Percebemos que 80% das mortes são evitáveis com ações no pré-natal e na assistência ao parto humanizado", disse Cristiane Moura Fé.

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