Moradores de rua morrem em Barueri (SP) após ingerir bebida oferecida na Cracolândia

Suspeita é de que tenham sido envenenados; três pessoas permanecem internadas

São Paulo

Quatro pessoas morreram neste sábado (16) em Barueri, na Grande São Paulo, após ingerir uma bebida alcoólica oferecida por desconhecidos. Três deles seriam moradores de rua. A suspeita é de que tenham sido envenenados.

Foram identificadas como Edson Sampaio da Silva, 40, Luiz Pereira da Silva, 49, Marlon Alves Gonçalves, 39, e Denis da Silva, cuja idade não foi divulgada. 

Na manhã deste domingo (17), a prefeitura de Barueri chegou a confirmar a morte de Renilton Ribeiro Freitas, 43. No começo da tarde, porém, retificou a informação e disse que ele está vivo e permanece internado no Hospital Municipal. 

Outras quatro pessoas, três homens e uma mulher, também passaram mal e foram encaminhadas para o Pronto-Socorro Central de Barueri. São eles Renilton Ribeiro Freitas, 43, Silvia Helena Euripes, 54, Vinicius Salles Cardoso, 31, e Sidnei Ferreira de Araújo Leme, 38. 

Os quatro foram transferidos para o Hospital Municipal de Barueri. Sidnei, que foi para lá no fim da tarde deste sábado, está fora de perigo e deve receber alta neste domingo (17), segundo a prefeitura. Os outros estão internados em estado grave, apesar de estável. 

Moradores de rua foram encontrados mortos em Barueri, na Grande São Paulo
Moradores de rua foram encontrados mortos em Barueri, na Grande São Paulo - Divulgação/Polícia Militar

O incidente ocorreu por volta das 8h30 do sábado. De acordo com a secretária de Segurança e Mobilidade Urbana de Barueri, Regina Mesquita, um dos sobreviventes afirmou que passou a última sexta (15) na Cracolândia, na região central da capital paulista. Enquanto pedia dinheiro em um semáforo, um desconhecido ofereceu uma garrafa supostamente com bebida alcoólica.

O homem disse que a guardou na mochila e foi para Barueri. Ele compartilhou a bebida com as outras vítimas, que passaram mal na rua Duque de Caxias, na região central da cidade. 

Mesquita afirmou que não há registros nas câmeras de segurança do município de pessoas encostando ou entregando garrafas aos moradores de rua em Barueri. 

A atendente de telemarketing Marina Guedes, 33, diz que testemunhou a cena do suposto envenenamento e que foi ela quem acionou o resgate para as vítimas. 

Estava a caminho do trabalho quando encontrou os homens tendo convulsões. “Conhecia eles de vista. Sempre davam ‘bom dia’ quando descia do ponto de ônibus”, conta. “Naquela hora, estavam gritando. Me pediam ajuda, e falei que iria ajudar.” 

Ela diz que tentou falar com o Samu e com a Guarda Municipal, mas que ninguém a atendeu. Na terceira tentativa, conseguiu falar com a Polícia Militar, que transferiu para o Samu. 

“A moça falava que a ambulância estava a caminho, mas não vinha. E a situação deles piorava. Demoraram uns 20 minutos para chegar”, afirma. 

A bebida que ingeriram tinha sido jogada no lixo, segundo ela. Uma das mulheres que ingeriu contou que parou de beber quando percebeu que a língua estava anestesiada. “Falei para ela pegar e entregar para os policiais”, diz. 

Ao menos dois morreram no local, segundo Guedes. Um deles seria marido da mulher que está internada. “Já vi gente levar facada, tiro, mas uma cena igual a essa eu nunca vou esquecer na minha vida”, diz. “A sensação de impotência é muito grande.”

Edson é irmão de uma colega de Guedes, Viviane Sampaio da Silva, 42. Ela conta que o irmão não era morador de rua, tinha casa e família, mas convivia com as outras vítimas. 

Após ingerir a bebida, ele foi até o portão da casa de Silva, próximo ao local, segundo ela, que acionou o socorro. "São pessoas que estão vivendo nessa vida? São. Mas matar que nem bicho, que nem rato? O mal maior que fizeram foi para eles mesmos", diz.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que o caso foi registrado como morte suspeita na Delegacia de Barueri, responsável pelas investigações. 

A garrafa com o líquido suspeito foi apreendida e encaminhada para perícia no Instituto de Criminalística, segundo o órgão. Os corpos passarão por exames no IML (Instituto Médico Legal). 

Sobre a demora no atendimento às vítimas, a prefeitura de Barueri afirmou que não sabe o tempo exato do deslocamento, mas que "o socorro foi rápido". 
 

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