Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que não precisa votar nele quem for prejudicado por juiz das garantias

Presidente reclamou de críticas e disse que tirou de sua página na internet seguidores que o atacaram

Brasília

Em meio às críticas por não ter vetado a criação do chamado juiz das garantias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (26) que já discordou antes do ministro da Justiça, Sergio Moro, e pediu para que não votem mais nele caso a iniciativa seja prejudicial para o país.

Sancionado pelo presidente, o pacote anticrime previu que a fase de investigação de um processo ficará sob a responsabilidade de um juiz de garantia, ou seja, o inquérito terá um magistrado específico para a etapa inicial, sendo ele o responsável por autorizar interceptação telefônica e busca e apreensão. 

A iniciativa foi criticada tanto por Moro como por eleitores do presidente, que defendiam o veto à medida. Desde a quarta-feira (25), mensagens com ataques à decisão foram publicadas nas redes sociais de Bolsonaro. Em sua live semanal, ele disse que nunca se comprometeu em vetar a proposta incluída no pacote anticrime.

"Eu não fiz nenhum trato com ninguém sobre vetar o juiz das garantias. É um absurdo falar vocês aprovam aí que eu veto aqui", disse. "Se entrar em vigor, eu não sei se vai entrar em vigor. Se te prejudicar, é simples, não vota mais em mim. Afinal de contas, se eu fizer 99 coisas favoráveis a vocês e um contra, vocês querem mudar. Então, muda, paciência", acrescentou.

O presidente destacou que não pode "ser escravo de todo mundo" e que, no país, há muita gente favorável à criação do juiz das garantias. Bolsonaro ressaltou que, em suas redes sociais, "abusaram" das críticas a ele e que foram retirados de sua página pessoal os seguidores que relacionaram a medida a uma questão de caráter pessoal.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a medida abre margem para tirar das mãos do juiz Flávio Itabaiana uma eventual ação penal contra o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho do presidente. O magistrado foi criticado pela família do presidente após deferir 24 mandados de busca e apreensão na investigação que apura a prática da "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio. 

"Bateram demais em mim. Juiz das garantias, abusaram, mas tudo bem", disse. "Aqueles que fizeram críticas construtivas tudo bem. Alguns que foram para a questão pessoal e familiar eu lamento, mas saíram da minha página", afirmou.

Apesar da discordância com Moro, Bolsonaro disse que o ministro tem feito um "trabalho excepcional" e que ele tem consultado o ex-juiz federal em questões de seu governo. Ele lembrou que, durante as discussões sobre a flexibilização da posse de armas no país, também adotou posição diferente a de Moro.

O presidente ressaltou que Moro é adorado pelo Brasil e que caso ele decida se lançar candidato a presidente em 2022, o país "vai estar em boas mãos". Bolsonaro voltou a dizer que não sabe se será candidato à reeleição e destacou que há "pessoas melhores" do que ele para disputar a eleição presidencial.

"Eu já discordei dele. Como já discordei de outros ministros também. Eu acho que a taxa de concordância com os ministros é em torno de 95%. Está indo muito bem. O Moro tem um potencial enorme. Ele é adorado no Brasil. Pessoal fala que ele deve encarar como presidente. Se o Moro vier, que seja feliz, não tem problema, vai estar em boas mãos o Brasil. E eu não sei se eu vou vir candidato em 2022", disse.

Bolsonaro afirmou ainda que 90% das pessoas que criticam a criação do juiz das garantias não sabe o que significa a medida e ressaltou que não poderá agradar sempre a todos os seus eleitores, mas que, neste caso, está com a "consciência tranquila" e que sua intenção não foi proteger ninguém.

O presidente disse ainda que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, "deu uma dedada errada" na quarta-feira (25). O auxiliar presidencial compartilhou uma mensagem nas redes sociais que dizia que Bolsonaro traiu Moro ao não vetar a medida. Na sequência, ele apagou o conteúdo e disse que divulgou por engano.

"Ele não manja nada de internet, parecido comigo, e deu uma curtida em um cara que me chamou de traidor. O pessoal caiu de pau nele. Você acha que está na cabeça de alguém que um ministro ia me chamar de traidor conscientemente? Fiquei sabendo da história e ele estava em um local com internet intermitente. Ele deu uma dedada errada, tem de caprichar na dedada nas férias. O Weintraub, está cada vez mais forte", disse.

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