Descrição de chapéu Obituário Angelo Falsarella (1925 - 2020)

Mortes: Jornaleiro, inspirou gerações e foi referência em Campinas

Angelo Falsarella alfabetizou-se com a leitura das manchetes de jornais e revistas

São Paulo

Angelo Falsarella não teve infância. O trabalho árduo na lavoura ocupou o lugar das brincadeiras. Na escola, compareceu somente até o dia em que levou um tapa de uma professora no rosto.

Nascido em Corumbataí (201 km de SP), aos 20 anos Angelo mudou-se para Campinas (93 km de SP) em 
busca de uma vida melhor.

O primeiro emprego foi como faxineiro num hospital, até descobrir uma oportunidade para vender jornais e revistas nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), diariamente, das 5h às 22h.

Alfabetizou-se com a leitura das manchetes dos jornais e das revistas.

Angelo Falsarella (1925-2020)
Angelo Falsarella (1925-2020) - Arquivo pessoal

Apesar do jeito e da aparência de italiano, um garçom o chamou de alemão e o apelido o acompanhou durante a vida.

Na época em que os times de futebol viajavam de trem, Oberdan Cattani, goleiro do Palmeiras das décadas de 40 e 50, chegou a ser seu cliente, segundo relata o neto, o comerciante Denilson Falsarella, 48.

Ele é o detentor de alguns causos que o avô contava, como o dia em que Oberdan o suspendeu com uma 
das mãos dentro do vagão.

Em 1951, conseguiu comprar um ponto em Campinas e abrir a banca de jornal que é referência na cidade até os dias atuais.

“Os pais da atriz Maitê Proença e o ex-presidente Fernando Collor de Mello —quando estava em Campinas —eram clientes da banca”, diz Denilson.

Angelo inspirou a família com a profissão. Um dos filhos e o neto, além de nove dos seus 11 irmãos tornaram-se jornaleiros. “Dinheiro não leva desaforo”, dizia à família.

Angelo Falsarella morreu dia 22 de janeiro, aos 94 anos, por complicações de um AVC. Viúvo, deixa dois 
filhos e sete netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br
 
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