Descrição de chapéu Alalaô

Aumento de megablocos é desafio logístico no Carnaval de SP

Drone e sala de crise são apostas da Prefeitura de SP para monitorar evento

São Paulo

Com mais que o dobro de megablocos e público crescente, o Carnaval viverá um desafio logístico inédito nos próximos dias.

A quantidade de megablocos, aqueles com no mínimo 40 mil pessoas, saltou de 16 para 39 neste ano. A cidade, que ultrapassou o Rio em blocos em 2019, terá um crescimento de 62% nos eventos, passando de 490 para 678 confirmados.

A logística do Carnaval paulistano passa pela ação conjunta de diversas pastas municipais: Segurança Urbana, Cultura, Transportes, Saúde, entre outras. O coronel José Roberto Rodrigues, secretário de Segurança Urbana, vê o crescimento do Carnaval ano a ano como desafio que se renova e exige novas soluções.

“É como cortar unha, é algo que você tem que fazer sempre”, diz Rodrigues. No caso dos megablocos, trata-se de aumentar em escala o que já é feito em relação aos demais blocos, argumenta.

O planejamento da prefeitura para o Carnaval começou em setembro, quando representantes das diferentes secretarias passaram a se reunir. Desde então, fizeram cerca de 40 reuniões sobre o tema.
A definição das vias que receberão blocos passa, primordialmente, pela avaliação das ruas e avenidas com número suficiente de rotas de evacuação, capacidade de receber grandes quantidades de pessoas e pouco impacto nas atividades essenciais —a avenida 23 de maio deixou o Carnaval de rua para que não houvesse incômodo aos hospitais da região, e a avenida Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, não foi colocada na programação a pedido do Ceagesp.

Cerca de 5.000 grades são distribuídas pela cidades nos dias de blocos para organizar o fluxo de pessoas. “A ideia é a de criar uma zona controlada com a qual podemos trabalhar”, explica Rodrigues.

A cada final de semana, a Guarda Civil Metropolitana e a PM elaboram relatório de quase 150 páginas em que esmiúçam o que acontecerá em cada um dos dias de desfiles. Cada um dos guardas, policiais, viaturas e ambulâncias aparece em diversos mapas.

As atribuições e horários de cada um também são discriminados. Dessa forma, sabe-se a todo momento quem deve ser acionado em relação a qualquer ocorrência.

Toda a operação, do início do primeiro bloco do dia até a dispersão do último, é monitorada pela chamada sala de gerenciamento de crises, localizada no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), no Bom Retiro.

Ali concentram-se um representante de cada uma das pastas municipais envolvidas no Carnaval e membros da PM. Eles monitoram dezenas de imagens produzidas pela cidade por câmeras fixas e drones e definem estratégias conjuntas em tempo real.

Em qualquer intercorrência, policiais, guardas, médicos e demais agentes públicos sabem quem está mais próximo, quem deve agir, quantas viaturas encaminhar, etc.. Ao todo, 26 profissionais se revezam na sala de crise.

No domingo (16), cinco pessoas foram baleadas na avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin, durante desfile de Carnaval. Naquele momento, agentes da CET e do Samu estavam mais próximos, prestaram os primeiros socorros e transportaram os feridos dali, por exemplo. Caso os ferimentos fossem graves, os hospitais de destino estariam preparados.

Em 2020, as imagens da sala de gerenciamento de crise terão mais fontes. A prefeitura terá dez drones acompanhando os blocos pela cidade. Além disso, os guardas municipais —cujas férias foram cassadas para que o efetivo completo estivesse à disposição— terão câmeras acopladas no corpo e que poderão ser controladas à distância.

Caso alguém na central queira ver algo próximo a algum guarda, poderá dar o comando de zoom na câmera ou virar o foco para outro lado.

A passagem de cada bloco é sucedida por operação coordenada dos grupos envolvidos na organização do Carnaval. Primeiro, passa o “rapa”, serviço de remoção e higienização da prefeitura, para que saiam os ambulantes. Depois, passam os guardas, que tentam convencer os foliões restantes a se retirarem. Por fim, chega a Polícia Militar, para abordagem mais incisiva em relação aos resistentes.

Cerca de 15 mil policiais militares participarão do controle de segurança do Carnaval, com a ajuda de 1.821 guardas.

Após a primeira semana com desfiles do pré-Carnaval, grupo de entidades de blocos de rua fez carta aberta à prefeitura expressando preocupação devido “aos inúmeros casos de arrastão, furtos, roubos e violência”.

“É de extrema importância que os órgãos responsáveis se comprometam a reavaliar suas estratégias e redobrar seus esforços para garantir o bem estar dos foliões, ou o esforço para construir tudo isso de nada vale”, diz a nota, assinada pela União dos Blocos de Carnaval de Rua do Estado de São Paulo e outros grupos.

O presidente do Sesvesp (sindicato das empresas de segurança privada), João Palhuca, diz que os blocos deveriam não cuidam como deveria da segurança, a começar por seguir as regras da prefeitura.
“Se o bloco seguir orientações da prefeitura, contratar empresa de segurança privada, contratar um plano de segurança e agir em cima desse plano, os riscos diminuem e a violência despenca.”

Os megablocos, por exemplo, são obrigados a ter planos de segurança que considerem resgate, isolamento, orientação de público e equipe de produção, sujeito à aprovação de comissão intersecretarial.
Palhuca afirma que o dimensionamento de segurança é menor do que em grandes eventos. A Fifa, diz ele, exige um segurança privado para cada 400 pessoas.

Além de haver um déficit de profissionais, há contratação de segurança clandestina, sem integração com a Polícia Militar. Segundo dados obtidos pelo sindicato com a Polícia Federal, em 2019 havia apenas 18 empresas legais foram informadas ao órgão.

Às vésperas do Carnaval, também houve confusões relacionadas ao planejamento dos eventos. Devido a um impasse em ação de moradores contra o bloco infantil Berço Elétrico, marcado para sábado (22) às 10h, na praça Horácio Sabino, em Pinheiros (zona oeste), o evento teve que ser adiado para o dia seguinte, no mesmo local e horário.

O bloco acabou autorizado na Justiça. Mas, para o criador do bloco, o publicitário Diogo Rios, 36, falta planejamento por parte da prefeitura. “A prefeitura precisa criar um núcleo exclusivo de Carnaval para trabalhar assim que termina o Carnaval do ano. Precisa ter mais gente, com um cronograma maior”.

Para se orientarem pela cidade, em 2020 os foliões poderão contar com a ajuda do Google Maps. O Google anunciou que usuários do aplicativo poderão ver em tempo real os blocos de rua mais próximos e receber alertas sobres as ruas interditadas durante a folia.

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