Descrição de chapéu Alalaô

Polícia prende 413 pessoas no 1º fim de semana oficial do Carnaval de rua em SP

Entre os presos estão dois homens envolvidos numa tentativa de roubo que deixou 5 baleados neste domingo (16) na Berrini

São Paulo

O primeiro fim de semana oficial do Carnaval de rua de São Paulo terminou com 413 pessoas detidas, informou nesta segunda-feira (17) a Secretaria de Segurança Pública da gestão Doria (PSDB).

De acordo com o balanço da pasta de segurança, 265 pessoas foram presas cometendo furtos e roubos durante os festejos de rua entre o sábado (15) e o domingo (16).

As detenções também atingiram outras 127 pessoas que eram procuradas pela Justiça e mais 21 adolescentes flagrados em crimes.

Entre os presos estão dois suspeitos envolvidos numa tentativa de roubo registrada na tarde deste domingo contra um policial civil na avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklin (zona sul), durante a passagem dos blocos de rua.

O policial reagiu à abordagem, e cinco pessoas acabaram baleadas. O tiroteio gerou pânico e muita correria entre os foliões.

Os feridos foram levados para hospitais da região e não correm risco de morrer. As investigações, segundo a secretaria de segurança, estão sendo tocadas no 27º DP (Campo Belo).

Para deter os suspeitos em meio à multidão de foliões que tomaram ruas, praças e avenidas em todas as regiões da cidade, as polícias Civil e Militar contaram com o apoio da tecnologia.

Imagens capturadas por drones ajudaram a polícia a prender dois suspeitos que estavam roubando foliões em Pinheiros (zona oeste).

A tecnologia de reconhecimento facial a partir de imagens de câmeras da polícia também foi usada nos desfiles e ajudou a localizar e prender 127 pessoas foragidas.

Os crimes mais comuns no pré-Carnaval paulistano foram os ligados a furtos e roubos de celulares.

Na avenida Brigadeiro Faria Lima, a polícia prendeu quatro colombianos –sendo três mulheres–, com 48 celulares furtados ou roubados.

Os suspeitos foram identificados e levados ao 14º DP (Pinheiros).

Ao todo, as forças de segurança do estado abordaram 64.847 pessoas. Também foram vistoriados 45.017 veículos —destes, 69 carros furtados ou roubados foram recuperados —, e apreendidas 24 armas e quase 60 quilos de drogas.

Batizada de “Carnaval Mais Seguro”, a edição da operação deste ano conta com uma média de 15 mil policiais civis e militares atuando na segurança dos foliões em todo o estado. A estrutura das forças de segurança ainda conta com 12 helicópteros e 50 drones.

COMO FOI A FESTA

O primeiro fim de semana oficial do Carnaval de rua paulistano foi marcado por mensagens pela paz e contra o assédio sexual, mix de estilos musicais e, como sempre, fantasias irreverentes.

Os foliões levaram para as ruas assuntos da atualidade como o coronavírus e protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O DJ Alok colocou seu bloco de música eletrônica pela primeira vez na avenida e atraiu uma multidão na avenida Faria Lima.

“Se for pra curtir, curta com consciência. Se for pra paquerar, que seja com respeito. Caso alguém se sinta assediado, pode procurar o posto médico da prefeitura”, afirmou.

 

Quem atraiu holofotes foi a atriz Alessandra Negrini, do bloco Baixo Augusta, que aproveitou a festa para protestar. Vestida de índia, fez referência às críticas de Bolsonaro aos indígenas.

Ela estava acompanhada da ativista Sônia Guajajara, que foi candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL).

“Hoje para mim a questão indígena é a central desse país. Ela envolve não somente a preservação da cultura deles como a preservação das nossas matas. A luta indígena é de todos nós e por isso eu tive a ousadia de me vestir assim”, disse à Folha.

A ativista indígena Sônia Guajajara defendeu o visual com adereços indígenas adotado pela atriz. “Muita gente usa acessórios indígenas como fantasia. Isso a gente não concorda. Mas quando a pessoa usa de uma forma consciente, como um manifesto para amplificar as vozes indígenas então tudo bem, é compreensível”, disse.

Segundo ela, Alessandra Negrini havia combinado o protesto com o grupo de indígenas que participou do bloco.

Do alto do trio do Baixo Augusta, um dos integrantes puxou o coro: “ei, Bolsonaro, vai tomar no c.”. O chamado foi acompanhado pela multidão que lotava a rua da Consolação.

As fantasias também foram usadas como forma de protesto. A comunicadora Nayara Sampaio, 34, misturou peixe e óleo em sua roupa Confraria do Pasmado neste domingo, em referência às manchas nas praias nordestinas.

Ao lado de Bolsonaro, o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, disse que as pessoas poderiam continuar consumindo pescados.

A explicação: “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma mancha de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo”, afirmou o secretário.“É uma piada pronta”, diz Nayara, que é mineira, mas vive em São Paulo.

Outra crítica ao governo Bolsonaro na área ambiental foi feita por um grupo de amigos paulistanos. Eles se fantasiaram de Amazônia devastada, inclusive com uma Greta Thunberg, a ativista sueca defensora do clima chamada de pirralha pelo presidente.

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