SP despeja Pinheiros e Tietê na Billings para evitar enchentes

Bombeamentos dos rios em direção à represa são permitidos quando há aumento de nível de 20 a 30 cm em determinados pontos

São Paulo

A represa Billings é a carta curinga de São Paulo para dias com muitas chuvas e risco de inundação, embora isso não elimine os alagamentos. É para a Billings que vão as águas do Pinheiros e do Tietê quando os dois rios estão com volumes preocupantes. 

Em dias normais, não é permitido jogar as águas dos dois principais rios da cidade na Billings.

Assim, evita-se que os poluentes do Pinheiros e do Tietê acabem em um dos principais reservatórios da região metropolitana de São Paulo.

Vista da Represa Billings, um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo
Vista da Represa Billings, um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo - Rubens Chaves - 19.fev.2019/Folhapress

Segundo uma resolução de 2010 da então Secretaria de Meio Ambiente (hoje Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente), os bombeamentos dos rios em direção à Billings são permitidos quando, em determinados pontos do Tietê e do Pinheiros, há aumento de nível de 20 cm a 30 cm.

No primeiro caso, o bombeamento já é possível quando ocorrem chuvas maiores do que 20 mm —para efeito de comparação, nesta segunda, em 24 horas choveu 114 mm.

É o momento no qual a usina de Traição, próxima à estação Vila Olímpia da CPTM e do shopping JK Iguatemi, entra em ação para reverter o curso dos rios para a represa.

“É por isso que o rio Pinheiros é o mais poluído, ele praticamente não tem movimentação”, diz Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica.

“Acaba não tendo oxigenação, e a matéria orgânica na água é decomposta por microorganismos que consomem todo o oxigênio e liberam o gás sulfídrico, malcheiroso e que causa irritação no olho, garganta e nariz.”

Segundo Veronesi, a rede hídrica da cidade conta com mais de 1.700 pequenos rios e córregos, que fluem direta ou indiretamente para o Tietê. 

“A grande maioria foi completamente canalizada e tamponada, está escondida e só vemos em dias como hoje, em que chove muito. Ou esses rios estão abertos e com avenidas ao lado”, um dos motivos de a enchente ter tanto impacto. 

As áreas nas margens dos rios são zonas de várzea, regiões para onde o rio cresce em momentos de cheia. Enchentes nessas zonas, então, são naturais e esperadas. A marginal Tietê é um exemplo.

Em grandes cidades, pesa ainda a impermeabilização do solo, que dificulta a penetração da água no chão e, consequentemente, faz com que ela se desloque e ganhe velocidade na superfície das ruas.  Para Veronesi, a solução para a situação é melhorar as formas de retenção da água no solo.

Segundo Carlos Bocuhy, presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), com as mudanças climáticas fica mais difícil ter séries históricas como parâmetro para planejamento para evitar enchentes. “A garantia desses dados perdeu validade. Veja o caos.”

Bocuhy insta o governo a dar sinais claros sobre o risco envolvendo chuvas e enchentes no contexto de mudanças climáticas. “O governo deve ampliar a percepção de áreas de risco. Estamos diante de uma outra realidade.”

 
 
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