Descrição de chapéu Coronavírus

São Paulo tem 7.000 pessoas vulneráveis ao coronavírus morando nas ruas

Parte dessa população dorme em albergues; governo indica que aglomerações sejam evitadas

São Paulo

Na cidade de São Paulo, 7.002 pessoas com 50 anos ou mais vivem em situação de rua, de acordo com dados da prefeitura. Pouco menos da metade desse contingente tem 60 anos ou mais. Além de estarem mais expostos a uma série de doenças, as pessoas nessas faixas etárias têm maior risco de morte causado pelo novo coronavírus.

Parte dessa população dorme em albergues — idosos entre eles. Uma das indicação do governo do estado, no entanto, é que pessoas de 50 anos ou mais, que são parte do grupo de risco para a doença, evitem aglomerações de todo tipo.

Questionada, a Secretaria Municipal de Assistência Social não informou quais medidas a prefeitura irá tomar para a proteção da população de rua nessa faixa etária —dentro e fora dos albergues.

A situação deve piorar com a chegada do inverno, quando a exposição dessa população ao frio leva a registros de mortes recorrentes.

Segundo a gestão municipal, a população de rua na cidade chegou a 24.344 pessoas em 2019 —um salto de 53% em quatro anos. Em 2015, as pessoas nessa situação somavam 15,9 mil.

Esses dados, no entanto, podem ser ainda maiores. Segundo o Movimento Pop Rua, os dados do censo são subestimados e a capital teria mais de 32 mil pessoas em situação de rua.

Durante a divulgação dos dados do censo, o grupo se manifestou. “Esvaziaram o Minhocão e a cracolândia três horas antes de contar. A metodologia de exclusão foi a mesma, a única novidade foi o uso do tablet.”

O grupo reclama que pessoas vivendo em barracos de madeira embaixo de pontes e viadutos não foram consideradas pela pesquisa como moradores de rua —o que explicaria, em parte, a diferença.

A taxa de letalidade do novo coronavírus, ou seja, a quantidade de pessoas mortas em relação ao total de diagnosticadas, é de 3,4%. É uma cifra maior que a do sarampo —2,2%— , e bem menor que a do ebola —51%.

Assim como nos casos de gripe e da Sars (síndrome respiratória aguda grave, também causada por um coronavírus), o novo coronavírus costuma vitimar pessoas que tenham moléstias como diabetes (quem tem a doença tem 8,1 vezes o risco de morrer em relação a uma pessoa sem problemas crônicos de saúde), hipertensão (6,7), doenças cardiovasculares (11,7) e doenças respiratórias crônicas (7,0).

Além disso, quanto mais velha a pessoa, maior o risco: aquelas com 80 anos ou mais infectadas pelo novo coronavírus têm 6,4 vezes a probabilidade do resto da população de morrer.

Nesta quinta-feira (12), o governo do estado que contratou mil novos leitos destinados para possíveis internações relacionadas ao novo coronavírus e que a doença já tem transmissão sustentada no estado, o que significa que o contágio pode ocorrer mesmo entre pessoas que não viajaram. As autoridades também pediram para que pessoas com mais de 50 anos evitem aglomerações.

Segundo David Uip, coordenador do comitê de covid-19 no estado, a confirmação de casos passa a ser clínica, ou seja, pela presença de sintomas e exames de imagem.

Os exames laboratoriais, com kits de teste, serão destinados apenas aos casos de internação graves, pesquisa e na rede sentinela dos municípios do estado. Para tanto, o governo adquiriu 20 mil desses kits.

Questionado sobre a possível sobrecarga do SUS, Uip disse que se todas as pessoas com febre e tosse dependerem dos portos socorros o sistema de saúde não aguentará. Para ele, a dificuldade em atender pacientes nos espaços destinados a cada caso é um dos problemas do SUS.

Também nesta quinta (12), subiu para 76 o número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil. Os dados são de balanço do Ministério da Saúde.Mais cedo, a pasta havia divulgado 60 casos. O balanço, porém, não contabilizava registros já informados em alguns estados.

Com a atualização, já são nove estados com casos confirmados. O maior número ocorre em São Paulo, com 41 registros.

Em seguida, estão Rio de Janeiro (16), Paraná (6), Rio Grande do Sul (4), Bahia (2), Minas Gerais (1), Pernambuco (2), Espírito Santo (1), Alagoas (1) e Distrito Federal (2).

A Secretaria de Estado da Saúde da Bahia, porém, informou na quarta (11) que havia três casos confirmados.

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