Centrão emplaca mais um indicado em fundo da educação e aguarda nomeação na Saúde

Cargo na Diretoria de Tecnologia e Inovação de fundo de orçamento bilionário foi indicado pelo PL

Brasília

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) nomeou nesta segunda-feira (25) mais um indicado do chamado centrão para uma das diretorias do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Integrantes do bloco esperam que, ainda nesta semana, seja concretizada a distribuição de cargos importantes no Ministério da Saúde.

Essa já é a segunda nomeação de cargos estratégicos no FNDE, ligado ao MEC (Ministério da Educação), depois que o presidente passou a negociar o loteamento de cargos neste ano.

Paulo Roberto Aragão Ramalho assumiu a Diretoria de Tecnologia e Inovação do FNDE, segundo publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira. A área é responsável, por exemplo, por especificações técnicas em licitações para compra de computadores.

Parlamentares e funcionários do FNDE indicam que se trata de mais uma indicação do PL, partido que compõe o centrão. Um outro indicado da legenda, Garigham Amarante Pinto, já assumiu a Diretoria de Ações Educacionais do fundo na semana passada.

Chefe de gabinete da liderança do PL na Câmara, Garigham é nome de confiança de Valdemar Costa Neto, que comanda o partido.

No dia 11 de maio, Garigham, Aragão Ramalho e o deputado e líder do partido, Wellington Roberto (PL-PB), foram recebidos pelo ministro Abraham Weintraub (Educação), segundo agenda oficial do MEC.

A presidência do órgão, com orçamento bilionário, já foi prometida ao PP, que também integra o centrão. O nome escolhido, mas ainda não nomeado, é o de Marcelo Lopes da Ponte, chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira, presidente da legenda.

O PP ainda será contemplado com mais uma diretoria, e o Republicanos, com outras duas. Assim, os partidos do centrão controlarão cinco das seis diretorias do FNDE.

Apesar de sustentar discurso contrário ao loteamento político de cargos, Bolsonaro tem negociado nomeações com líderes do centrão como estratégia para evitar um processo de impeachment.

Integrantes de partidos do bloco, como PP e PL, esperam que seja concretizada nesta semana a negociação para definir quem ocupará espaços importantes no Ministério da Saúde. A Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério foi oferecida ao PL há cerca de um mês.

Wellington Roberto, líder do partido, tenta emplacar no cargo um aliado da Paraíba. No final de semana, o então secretário de Vigilância em Saúde Wanderson de Oliveira disse que deixará o cargo, abrindo caminho para a indicação partidária.

Outra secretaria da pasta também estaria agora na rodada de negociações com os partidos. A Saes (Secretaria de Atenção Especializada à Saúde) também pode contemplar nomes sugeridos por PP e PL.

Com essas duas, o Ministério da Saúde já soma cinco das suas sete secretarias sem titulares. A situação atinge áreas estratégicas, como as secretarias de atenção primária em saúde e atenção especializada, ciência e tecnologia e vigilância em saúde.

Fora esses cargos, os partidos aguardam outras nomeações. Ao PL também foi prometida uma diretoria da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), uma secretaria no Ministério do Turismo e a presidência do Banco do Nordeste. Já o PSD aguarda a nomeação da presidência da Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

Na Educação, Weintraub chegou a apresentar resistências para nomear indicados do centrão, mas foi emparedado pelo presidente Bolsonaro. Em reuniões coletivas e individuais, Bolsonaro avisou que suas indicações deverão ser respeitadas ou ele poderá substituir a equipe.

O novo diretor do FNDE, Paulo Roberto Aragão Ramalho, compôs o governo de Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal, onde ocupou uma coordenadoria de parcerias na secretaria de Desenvolvimento Social. Nomeado em fevereiro de 2019, acabou exonerado em abril deste ano. Ele ainda consta como sócio de uma microempresa de fornecimento de alimentos para empresas.

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