Descrição de chapéu Coronavírus

Sistema de bandeira organiza atividades econômicas no RS

Modelo não impede circulação de pessoas

Porto Alegre

Voltado às atividades econômicas, o modelo gaúcho de distanciamento classificado por bandeiras e regiões não impede a circulação de pessoas pelas cidades. Por isso, o sistema modifica pouco o cotidiano de quem vivencia a pandemia desde março.

Cenas como a Orla do Guaíba, em Porto Alegre, repleta de pessoas praticando exercícios ao ar livre ou admirando o pôr-do-sol do local são comuns.

As regras de distanciamento, como abertura do comércio e shoppings, foram relaxadas há um mês. Prefeitos, porém, podiam restringir atividades, como ocorreu na capital gaúcha, que manteve os shoppings fechados. Em outras cidades, como Caxias do Sul, os shoppings reabriram no mês passado.

Funcionário desinfeta shopping como medida preventiva contra o novo coronavírus em Caxias do Sul (RS)
Funcionário desinfeta shopping como medida preventiva contra o novo coronavírus em Caxias do Sul (RS) - Silvio Avila - 13.mai.2020/AFP
O modelo de bandeiras foi lançado no último dia 30 e teve seus protocolos anunciados na segunda-feira (11). Neste sistema, há regras para 12 setores econômicos, como indústria, comércio e serviços.

“É um sistema de convivência com a pandemia. O sucesso é não esgotar a capacidade de leitos. Se começar subir o número casos de casos, as bandeiras ficam mais vermelhas”, explica a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), Leany Lemos.

Lemos também comanda o Comitê de Análise de Dados, que integra o Gabinete de Crise do governador Eduardo Leite (PSDB).

O modelo separa o estado em 20 áreas classificadas por bandeiras nas cores, amarela, laranja, vermelha e preta – uma variação crescente de risco para proliferação da Covid 19. A bandeira preta não significa lockdown, que pressupõe a restrição da circulação de pessoas.

A classificação considera os números relacionados à propagação da doença em cada região e a capacidade do sistema de saúde.

O sistema foi desenvolvido com ajuda da Comunitas, entidade que atua junto a governos estaduais e municipais no âmbito de investimentos privados. A entidade privada também apoiou projetos da gestão de Leite quando era prefeito de Pelotas (2013-2016).

A Comunitas colaborou com a Seplag na pesquisa de modelos internacionais. O cálculo de risco de atividades, que considera número de trabalhadores e até o PIB (Produto Interno Bruto) das atividades econômicas, foi desenvolvido pela Seplag.

A colaboração foi custeada pela própria Comunitas, que é apoiada por empresas como Gerdau, Vale, Santander e institutos como o da BRF.

“Em uma crise, há dois grupos: um que pensa como atravessar a crise e um que planeja para o futuro. A gente percebe que os governos estão consumidos em atravessar a crise. Começamos a fazer essa provocação, sem pressão, sobre quando reabrir. A gente defende o que a ciência mostra, a capacidade de atendimento da saúde, mas tem que fazer esse planejamento de futuro”, diz a diretora-presidente da Comunitas, Regina Esteves.

Nenhuma região do estado está sob bandeira vermelha ou preta no estado.

Antes sob a bandeira vermelha, a região de Lajeado foi flexibilizada para laranja no último sábado (16).

Mesmo sob a bandeira preta, a mais severa, as atividades industriais continuam, com restrições que vão de 25% dos funcionários (metalurgia) a 75% (farmacêutica). Em todas bandeiras, porém, há necessidade de uso de EPIs e protocolos de higiene.

As bandeiras são atualizadas semanalmente e anunciadas sempre aos sábados, permitindo que empresas se adaptem para o início da semana seguinte, em caso de mudança.

Todos os protocolos para atividades econômicas e bandeiras são publicados em um site. Em caso de dúvidas, as pessoas podem consultar não apenas sua região, como sua cidade.

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