Descrição de chapéu Obituário Eduardo Domingos Bottallo (1938 - 2020)

Mortes: Apaixonado por livros e direito, foi de tributarista a trovador

Eduardo Domingos Bottallo era professor de direito e fundou escritório de advocacia no ABC

São Paulo

Os olhos azuis-piscina, charmosos, chamavam atenção de todos. O sorriso doce vinha em seguida. Nos dias de sol, sempre portava um chapéu, acessório que lhe conferia ainda mais elegância. Nas mãos, sempre um livro.

Ávido leitor, nos últimos anos devorava cinco livros por mês. Também produziu obras próprias: crônicas, trovas e nos últimos meses escrevia —à mão— um livro de memórias.

De fala mansa, Dudu, como era carinhosamente chamado por amigos e família, era muito culto, extremamente inteligente e querido por todos. Apaixonado por cinema, em especial os filmes clássicos em preto e branco. Nas paredes da sala, retratos de atores e atrizes da velha guarda hollywoodiana.

Eduardo Bottallo, em sua última visita à Sala São Paulo, em novembro de 2019
Eduardo Bottallo, em sua última visita à Sala São Paulo, em novembro de 2019 - Arquivo pessoal
Ingrid Bergman era sua musa, e a história de amor protagonizada por ela e Humphrey Bogart em Casablanca sempre trazia lágrimas aos seus olhos.

Formou-se em direito pela Universidade de São Paulo em 1960, e recebeu o prêmio Rodrigues Alves de melhor aluno da turma. Mestre e doutor em direito pela PUC/SP e livre-docente pela USP, especializou-se em direito tributário. Ingressou como professor na USP em 1975, onde atuou até se aposentar, em 2008.

Foi também diretor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (1989-1993), e recebeu, em 2003, o título de professor Honoris causa da faculdade. Em 1985, fundou seu próprio escritório de advocacia em Santo André (SP).

Em seus quase 60 anos dedicados ao direito, foi consagrado com diversos prêmios, incluindo Melhores Arrazoados Forenses, do Instituto dos Advogados de São Paulo, Colar do Mérito Judiciário do Tribunal de Justiça de SP e Colar do Mérito Eleitoral do TRE/SP.

Foi também conselheiro da OAB-SP e vice-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo.

Escreveu dezenas de artigos e diversos livros sobre direito tributário, além de dois livros de crônicas, “O Torto e o Direito” e “Cartas de (e para) um combatente”, obra contendo cartas de seu tio, François Bottallo, combatente na Revolução Constitucionalista de 32.

Em 2008, publicou “Trovas Tributárias”, seu primeiro livro de trovas. Ganhou prêmio de “Trovador Revelação” pela União Brasileira de Trovadores. Uma das premiadas em 2009: Comendo qual um glutão/carregou na malagueta:/o clamor da digestão/ retumbou pelo planeta.

Viajou pelo mundo, mas sempre era feliz em casa, ao redor da mesa com filhos e netos. Nos almoços, todos paravam para ouvir com atenção seus discursos cheios de saber.

Aos sábados à tarde, frequentava religiosamente os concertos da Sala São Paulo —até a chegada da quarentena.

Eduardo Bottallo morreu no dia 4 de julho, aos 81 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia. Viúvo, deixa os filhos Fernanda, Cristina e Pedro, e cinco netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior deste texto afirmou que o protagonista de "Casablanca" é Cary Grant. Na verdade, é Humphrey Bogart. O texto foi corrigido.

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