Descrição de chapéu Obituário Elza Storto Busic (1927 - 2020)

Mortes: De mama a dama do rock, uniu os fãs às suas estrelas

Elza Busic era mãe dos líderes da banda Dr Sin

São Paulo

A história de Elza Storto começa na fazenda Olhos D’Água, em Olímpia (a 438 km de SP). Enquanto criança foi espoleta, mas cheia de alegria e energia. Sua trajetória a transformou numa das figuras mais queridas do rock and roll.

O desejo de arrumar um emprego a levou à capital paulista na juventude. Conseguiu uma oportunidade no Banco Bandeirantes, onde ficou por mais de 15 anos.

Graças ao trabalho conheceu o marido Andrija Busic, trompetista e fundador da banda Traditional Jazz Band. Ao casar, deixou o banco. Quando nasceram os filhos, Andria e Ivan Busic, a família morou cinco anos no Rio de Janeiro e retornou a São Paulo em seguida.

Elza Storto Busic (1927-2020) com os filhos, os músicos Ivan (à esq.) e Andria Busic
Elza Storto Busic (1927-2020) com os filhos, os músicos Ivan (à esq.) e Andria Busic - Arquivo pessoal

Elza cuidou dos filhos praticamente sozinha e ganhou protagonismo em seus corações.

Mãe adocicada, o sorriso era impregnado em sua alma na mesma intensidade em que o rock and roll vibrava nas veias dos filhos.

Ivan e Andria iniciaram a carreira na música. Prisma, Platina, Cherokee, Taffo até chegar a Dr Sin, uma das bandas mais importantes do cenário heavy metal brasileiro.

A trajetória arrastou muitos fãs e Elza abria as portas de sua casa a eles. Admirar Ivan e Andria era o passaporte para longas conversas e um lanchinho na casa dos artistas, com o capricho de Elza. E foi assim entre os anos de 1988 e 1991.

Elza circulava com naturalidade na cena do rock. Por isso, teve dois apelidos: Mãe Elza e depois Mama Rock. Na verdade, ela foi uma dama do rock.

Como não gostar da Elza? Simples, verdadeira e amiga de quem refletisse uma alma tão bonita quanto a dela.

Ao perceber más intenções, se transformava em uma pessoa dura e firme para defender os filhos, segundo conta o músico Ivan Busic, 53. Os protegia e recomendava que tivessem cuidado com as pessoas. “A chance é que 99% são de bom coração, mas cuidado com o 1%”, dizia.

Ela foi mãe com melodia eletrizante, fã incondicional, conselheira e melhor amiga. “Sentia cada vitória e cada dor com uma intensidade maior que a nossa”, diz Ivan.

Diariamente, pedia aos filhos para assistir a dois clipes: Perfect Strangers, do Deep Purple —em 1989, Elza ganhou um beijo na boca do vocalista da banda, Ian Gillan— e Lost in Space, do Dr Sin, música pela qual era apaixonada.

Mesmo com idade avançada, Elza Busic era uma fúria de energia. No dia 9 de julho, aos 92 anos, seu coração fez o último riff de guitarra. Elza dormiu e não acordou. Deixa os filhos Ivan e Andria, as noras Nathalia e Eliane, e o neto Liam.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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